O projeto Reflora acelera o reflorestamento na Amazônia, implantando agroflorestas produtivas em Tatuyo e na Reserva Puranga Conquista, com 7 mil mudas para recuperar 200 hectares e fortalecer cadeias locais
O Reflora vem transformando áreas degradadas em sistemas produtivos que alimentam a economia local, ao mesmo tempo em que recuperam a floresta, criando sombra, frutos e sementes para o futuro.
Moradores ribeirinhos e indígenas participam da coleta de sementes, produção de mudas e da implantação de agroflorestas, mantendo saberes tradicionais integrados a técnicas científicas.
O projeto também busca gerar renda, com viveiros locais e potencial para fornecer matéria-prima à indústria de cosméticos e remédios, além de fortalecer o manejo comunitário.
conforme informação divulgada pelo Instituto de Pesquisas Ecológicas (Ipê).
Como o sistema agroflorestal recupera o solo e gera renda
O Reflora utiliza o sistema agroflorestal, que combina espécies agrícolas, frutíferas e florestais para oferecer retorno econômico e ambiental em diferentes prazos.
Segundo a extensionista Ananda Matos, “É uma técnica de restauração produtiva que traz retorno econômico e ambiental. A curto prazo entram as agrícolas, a médio prazo as frutíferas e a longo prazo as madeireiras, que podem gerar madeira e outros produtos, como sementes e casca para chá e remédio,”.
Na prática, isso significa plantios que começam a dar frutos cedo, rendendo alimentos e renda imediata, enquanto espécies nativas maiores demoram a crescer, mas restabelecem a floresta e oferecem produtos no longo prazo.
Vozes da comunidade, sonhos e continuidade
O projeto também atende desejos antigos dos moradores, que veem no reflorestamento uma chance de garantir um futuro melhor para os filhos e netos.
O ribeirinho Edmildo Pimentel Yhepassoni afirma, “Há muito tempo eu sonhava com isso, mas não tinha como buscar conhecimento. Hoje em dia, graças a Deus, esse sonho está sendo realizado. Eu coleto sementes, ando por onde me convidam, falo sobre reflorestamento, porque precisamos recuperar a Amazônia. Isso não é só para nós aqui, é para todo mundo.”
Sua esposa, Carmen, resume a ambição familiar, “Eu quero que meus filhos, meus netos, plantem junto comigo. Que todos trabalhem juntos para que isso cresça e se torne algo grande.”
O filho, Santiago, vê a proposta como legado, “Daqui a alguns anos, isso aqui vai estar com árvores altas, que dão semente, frutos, sombra. Vai ser melhor, porque daqui pra frente, a gente vai plantar agora, vai ter pequenas árvores, mas logo estarão grandes, pra nossos filhos colherem e plantarem.”
Desafios logísticos e produção local de mudas
Levar insumos e mudas até pontos como a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Puranga Conquista exige logística complexa, com viagens de até oito horas de barco pelo Rio Negro.
O coordenador executivo Paulo Roberto Ferro destaca a origem comunitária da demanda, “O projeto surgiu da própria demanda dos comunitários, o que é mais interessante, porque aí a gente está surgindo como uma instituição apoiando essas atividades vindas da própria comunidade. Isso fortalece ainda mais a Reserva de Desenvolvimento Sustentável e, consequentemente, a cadeia da restauração no estado do Amazonas”,.
Em 2025, sete mil mudas foram levadas à reserva, com a meta de restaurar 200 hectares de áreas degradadas, e no futuro a ideia é coletar e produzir mudas localmente para reduzir custos e privilegiar espécies adaptadas.
Impacto social e perspectivas para a Amazônia
Além da recuperação ambiental, o Reflora busca fortalecer economias locais, beneficiando 18 comunidades com atividades como coleta de sementes, produção de mudas e manejo sustentável.
O projeto prevê que as mudas e sementes possam abastecer viveiros locais e gerar insumos para indústrias, ampliando oportunidades de renda sem desmatar, e garantindo que a restauração também seja uma estratégia de desenvolvimento comunitário.
Ao integrar saberes tradicionais e ciência, e ao priorizar a participação das comunidades, o Reflora traça um caminho para que o reflorestamento na Amazônia seja, ao mesmo tempo, uma ação de recuperação ecológica e uma fonte de sustento para quem vive na floresta.











