Desempenho da ZFM é impulsionado pela reforma tributária, baixo desemprego e aumento da massa salarial no país
A manutenção dos incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus (ZFM) na reforma tributária, o aumento do poder de compra do trabalhador brasileiro e a queda do desemprego nacional impactam de forma positiva no Polo Industrial de Manaus (PIM), que projeta para este ano faturamento recorde de R$ 225 bilhões, superando os R$ 204 bilhões de 2024.
Em outubro, segundo dados da Superintendência da ZFM (Suframa), o PIM registrou, pelo segundo mês seguido, o maior faturamento mensal de 2025: alcançou R$ 21,4 bilhões, superando a marca anterior de setembro com R$ 20,07 bilhões. No acumulado de janeiro a outubro, o faturamento do PIM atingiu R$ 189,5 bilhões, representando um crescimento de 10,8% em relação ao mesmo período de 2024, R$ 171 bilhões. Em dólar, o montante acumulado soma US$ 33,9 bilhões.
A média mensal de mão de obra do PIM em 2025, até outubro, fixou-se em 131.227 trabalhadores diretos, entre efetivos, temporários e terceirizados, o que representa um crescimento de 6,88% na comparação com igual período do ano passado, 122.785 postos em média. Somente no mês de outubro, o PIM contabilizou 129.010 empregos diretos.
Conforme o superintendente da Suframa, Bosco Saraiva, o principal motivo do crescimento foi a manutenção dos incentivos fiscais da ZFM na reforma tributária. Além disso, ele destacou a alta qualidade dos produtos com preferência no mercado.
SEGURANÇA JURÍDICA
“A reforma tributária trouxe para o Polo Industrial de Manaus a segurança jurídica que há cinco décadas os investidores não tinham. Isso adicionado a outros fatores, o mercado, a qualidade dos nossos produtos, que tem altíssima qualidade tecnológica, os produtos que a gente fabrica no Polo Industrial de Manaus tem alta qualidade tecnológica. A gente pode colocar esses produtos no mercado com muita facilidade e preferência por parte do público consumidor”, disse.
Ele ressaltou que esses resultados apontam para recordes contínuos durante todo o ano e que a tendência é que permaneça em 2026. “Nós estamos seguindo um vetor de crescimento que é regular durante o ano inteiro. Mês após mês, a Suframa tem registrado no Polo Industrial de Manaus um crescimento de todos os setores. O crescimento de faturamento e de aumento de mão de obra no chão de fábrica, regular durante o ano inteiro, esse 2026, é sem dúvida nenhuma resultado do formato que foi aprovado a reforma tributária”.
Com o avanço de diversos segmentos, Saraiva afirmou que 2025 irá superar o ano anterior, que até então representava o maior faturamento. “Nós devemos alcançar até o final do ano, pela média de crescimento e pelos indicadores que a gente tem dos vetores, algo em torno de R$ 225 bilhões de faturamento, superando e muito o faturamento de 2024, que foi de R$ 204 bilhões”, ressaltou.
Segundo informações da Suframa, os subsetores com maior participação no faturamento do PIM, entre janeiro e outubro de 2025, foram o de bens de informática com 20,82%; duas rodas 19,95%; eletroeletrônico 17,09%; químico 10,05%; mecânico 9,09%; termoplástico 8,76% e metalúrgico 7,91%.
Já entre os segmentos que apresentaram maior crescimento percentual no faturamento, os destaques foram vestuário e calçados 41,23%; relojoeiro 28,28% e duas rodas 23,73%.
‘Melhor renda permitiu consumo’
Para o presidente da Federação das Indústrias do Amazonas (Fieam), Antonio Silva, o volume excepcional de produção no PIM é resultado da maturidade operacional das indústrias locais e do aumento da demanda.
“Os setores-chave, como o de duas rodas e o de bens de informática, não apenas ampliaram suas linhas de produção para atender ao consumo reprimido, mas também agregam maior valor tecnológico aos produtos, o que eleva o faturamento nominal”, disse.
Antonio Silva ressaltou que a dinâmica de trabalho brasileiro e a queda no desemprego aumentaram a movimentação e estabilidade do Polo Industrial de Manaus. “A queda no desemprego nacional e o aumento da massa salarial real impulsionaram o poder de compra das famílias, sustentando a demanda por bens de consumo duráveis fabricados na Zona Franca, como eletroeletrônicos e motocicletas”.
Ele explicou que a variação do dólar e a antecipação das empresas para evitar serem afetadas por uma possível estiagem também influenciaram diretamente nesse recorde.
“A valorização cambial impactou diretamente o faturamento em reais, uma vez que parte dos insumos e o preço final dos produtos acompanham a variação do dólar. Outro fator crucial foi a estratégia logística das empresas que, antevendo as dificuldades de navegação impostas pelo período de estiagem na região, anteciparam a produção e o faturamento, concentrando resultados expressivos nestes meses para evitar o desabastecimento do mercado no fim de ano”, informou.
O empresário afirmou que mesmo com cenários de juros elevados, o PIM superou essa dificuldade com a melhoria da renda das famílias e queda do desemprego, que possibilitaram a movimentação econômica respeitando a dinâmica do mercado. “Embora a Selic alta encareça o financiamento, a melhoria na renda disponível da população permitiu a continuidade do consumo, muitas vezes migrando para compras à vista ou em prazos menores”.
Silva explicou que, no setor de duas rodas, por exemplo, a demanda por motocicletas se mantém estável mesmo com os juros mais altos, pois passou a ter uma maior necessidade ao consumidor. “A motocicleta consolidou-se como um item essencial de mobilidade e ferramenta de trabalho, tornando sua demanda menos elástica às variações dos juros. Portanto, a indústria amazonense cresceu sustentada pela necessidade real de consumo e pela reposição de estoques no varejo, descolando-se parcialmente das restrições da política monetária restritiva”, informou.
Poder de compra do trabalhador
A economista Denise Kassama explicou que a compra dos produtos duráveis, como motocicleta, revela o poder de compra do trabalhador. “Quando é que a pessoa troca de televisão? Quando ela não está com a corda no pescoço, quando está pagando as contas e sobra um trocado, para trocar de televisão, aparelho ou investir em uma motocicleta. Muita gente comprando motocicleta até como ferramenta de trabalho, para trabalhar como entregador, mas reflete, de certa forma, uma melhoria”, explicou.
Ela ressaltou que mesmo com a Taxa Selic elevada, o PIM continua crescendo pela redução do desemprego, que automaticamente gera renda à população. “O desemprego é o menor na série histórica desde 2012, se o brasileiro está empregado, ele tem renda. Se ele tem renda, tem consumo. Mesmo considerando que a gente está com uma SELIC absurda, a performance está refletindo melhoria na economia e na renda das pessoas, porque isso gera mais movimentação no comércio”.
Ela avaliou que a economia brasileira, no geral, está se ajustando e melhorando gradativamente e que isso reflete em Manaus. “A economia está bem, a nível de Brasil, o emprego está bem. A pobreza também está diminuindo no país. Então as coisas estão começando a entrar no eixo, mesmo para o pior negacionista, não dá para negar”.











