Piloto relata que ventania repentina, ondas de até três metros e deslocamento de passageiros para a proa contribuíram para o naufrágio da lancha Lima de Abreu XV perto do Encontro das Águas, em Manaus
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O piloto da lancha Lima de Abreu XV afirmou que uma ventania súbita, combinada com a movimentação de passageiros para a parte da frente da embarcação e a abertura da porta da proa, provocou o afundamento pela proa, deixando vítimas e desaparecidos.
Segundo o depoimento, ondas de até três metros atingiram a embarcação, que teria sido coberta por uma terceira onda depois da entrada de grande volume de água, e continuou a enfrentar condições adversas por mais de uma hora.
Os números oficiais apontam que, até o momento, duas pessoas morreram, outras sete pessoas estão desaparecidas e 71 pessoas foram resgatadas, conforme informação divulgada pelo g1.
Depoimento do piloto e relatos sobre o acidente
Conforme depoimento prestado à Polícia Civil, o comandante Pedro José da Silva Gama disse que chegou por volta das 10h à Balsa Amarela, no Porto Manaus Moderna, e era responsável pelo trajeto até Nova Olinda do Norte.
Ele relatou que a embarcação saiu do porto por volta das 12h30 e seguia normalmente até a área do Encontro das Águas, quando começou uma ventania forte.
O piloto afirmou que reduziu a velocidade ao perceber a mudança do tempo, porém, com o aumento do vento, passageiros teriam se desesperado e corrido para a proa da lancha.
Segundo o relato, foi orientado que todos retornassem aos assentos para evitar inclinação, mas após a primeira onda, que a embarcação conseguiu ‘cortar’, uma segunda onda levou os passageiros a abrir a porta da proa, permitindo a entrada de grande volume de água.
Com mais pessoas na frente, uma terceira onda teria coberto a embarcação completamente, provocando o afundamento pela proa, conforme o piloto.
Pedro José afirmou que determinou a distribuição de coletes salva-vidas e que os passageiros foram posicionados na parte de trás para evacuarem a lancha, e garantiu que havia coletes para todos e que a lotação estava dentro do limite permitido.
Ele também disse que os motores não apresentaram pane, e que a embarcação afundou com os motores ainda em funcionamento, enquanto o vendaval e as ondas fortes persistiram por mais de uma hora, dificultando o resgate.
Resgate, vítimas e imagens do local
Imagens obtidas por veículos de imprensa mostram várias pessoas na água, incluindo crianças, em cima de botes salva-vidas aguardando auxílio, além de embarcações próximas tentando ajudar no socorro.
Uma passageira que ficou à deriva gravou vídeo afirmando que havia alertado o condutor para diminuir a velocidade por causa do banzeiro, registro em que ela diz ‘falei para ir devagar’.
O piloto foi detido logo após o resgate dos sobreviventes, no porto da capital, e liberado após o pagamento de fiança. Ele deverá responder por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
Buscas, atuação da Marinha e investigação
A Marinha do Brasil informou que mantém equipes nas buscas pelo naufrágio da embarcação Lima de Abreu XV.
Foram empregadas uma aeronave do 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral do Noroeste, uma embarcação do 1º Batalhão de Operações Ribeirinhas e duas lanchas da Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental, segundo comunicado do Comando do 9º Distrito Naval.
As buscas continuam tanto na área do acidente quanto nas margens dos rios, com apoio de embarcações e mergulhadores, e a Marinha informou que coletou dados dos sobreviventes para auxiliar nas buscas e na apuração do caso.
Também foi instaurado um Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação, o IAFN, para investigar as causas e responsabilidades do acidente, conforme prevê a legislação.
Posição da defesa e próximos passos
Em nota, a defesa do piloto informou que desde o momento do ocorrido ele permaneceu no local e prestou auxílio aos passageiros e tripulantes, colaborando de forma transparente com as investigações.
A defesa manifestou solidariedade às vítimas e familiares, e ressaltou que as causas do acidente dependem de apuração técnica especializada.
As investigações vão considerar fatores climáticos, ações da tripulação, condições da embarcação e registros de testemunhas e imagens, para determinar se o naufrágio em Manaus foi resultado apenas da tempestade, da movimentação dos passageiros, ou de uma combinação de fatores.












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