“Operação Milícia”: Ministério Público prende agentes da segurança pública por atuar em esquema criminoso em Manaus

Manaus (AM) – Uma operação coordenada pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) chocou a capital nesta terça-feira (29), ao revelar o envolvimento de policiais civis e militares em um suposto grupo de milícia responsável por crimes como extorsão, sequestro, roubo e invasão de domicílio. Batizada de Operação Milícia, a ação cumpriu mandados judiciais em várias zonas da cidade, e resultou na prisão de nove agentes públicos, entre eles um perito criminal e quatro integrantes da Força Tática, conhecida por sua atuação ostensiva em áreas de alto risco.

🚨 Alvos da operação

Entre os detidos estão policiais militares de diferentes unidades e um oficial da reserva da corporação. Confira os nomes divulgados pelo MPAM:

  • Júlio de Almeida Lima Filho – Tenente aposentado da PM
  • Alerson de Almeida Lima – 23ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom)
  • Marcílio B. Pantoja – Força Tática
  • André Luiz Silva de Sá – Força Tática
  • Alijhone C. Gouveia – Força Tática
  • Augusto César V. Guimarães – Força Tática
  • João Bosco de Assis Alves – Regimento de Cavalaria
  • Eldon Nascimento de Sousa – Comando de Policiamento de Área Sul (CPA Sul)
  • M.A.F. de A. – Perito da Polícia Civil (prisão temporária)

Os mandados foram expedidos pela Justiça após investigação da 60ª Promotoria de Justiça, responsável pelo controle externo da atividade policial. Segundo o MP, há indícios de que os crimes eram cometidos durante o serviço, com uso de viaturas e armamento oficial.

📉 Crime institucionalizado?

A operação reacende o alerta sobre o grau de infiltração do crime organizado dentro das estruturas de segurança pública do Amazonas. Este não é um episódio isolado: operações anteriores como Audácia, Garrote e Jeremias 22:17 já haviam revelado vínculos entre policiais e atividades ilícitas, incluindo tráfico de drogas, tortura e sequestro. A repetição desse padrão levanta questões sobre falhas nos mecanismos de controle, impunidade e cultura corporativista dentro das forças de segurança.

⚖️ Processo em andamento

Todos os presos foram levados ao 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP), onde passam por triagem e procedimentos legais. O perito civil está sob prisão temporária, enquanto os policiais militares cumprem prisão preventiva. As acusações deverão ser formalizadas nas próximas semanas, após análise das provas apreendidas.

🗣️ O que diz o MP

Em nota, o Ministério Público afirmou que a operação é parte de um esforço contínuo para responsabilizar servidores públicos envolvidos em atividades criminosas. “A confiança da população nas instituições precisa ser restaurada por meio de ações firmes e transparentes”, declarou o promotor responsável, que preferiu não ser identificado até a conclusão da primeira fase da operação.

🧭 O que esperar

Com os nomes dos envolvidos agora expostos, o foco recai sobre o desdobramento judicial e as sanções administrativas. A expectativa da sociedade é que os investigados não apenas respondam criminalmente, mas também sejam afastados de suas funções públicas de maneira definitiva, rompendo com o histórico de impunidade em casos semelhantes.

Enquanto isso, permanece o desafio maior: reconstruir a credibilidade das corporações militares e civis no Amazonas, cada vez mais abaladas por denúncias vindas de dentro das próprias fileiras.