Mulheres e indígenas lideram agroindústria da castanha sustentável em Beruri, com processamento local, energia limpa e capacidade para beneficiar até 100 toneladas por ano, fortalecendo renda e conservação
A produção de castanha sustentável no interior do Amazonas avança com gestão local e foco em preservação, renda e inclusão social.
Em Beruri, a Associação dos Produtores e Beneficiadores Agroextrativistas de Beruri, Assoab, estruturou uma agroindústria que processa castanha para óleo e derivados, promovendo agregação de valor na própria região.
O empreendimento envolve mulheres e povos indígenas na gestão e nas atividades técnicas, e deve iniciar operações na próxima safra, no primeiro trimestre de 2026, conforme informação divulgada pela Assoab.
Agroindústria local e economia comunitária
A estrutura da Assoab permite o beneficiamento local da castanha sustentável, o que amplia a renda e reduz a dependência de intermediários, segundo a associação.
Criada em 1994 por agricultores familiares, a Assoab atua desde 2006 na cadeia produtiva da castanha junto a comunidades ribeirinhas, agroextrativistas e indígenas, em Terras Indígenas e Unidades de Conservação.
Atualmente, a associação emprega diretamente 65 pessoas no beneficiamento da castanha, e mais de 730 moradores da região são beneficiados pelas atividades da cadeia produtiva.
Impacto na renda e inclusão de comunidades indígenas
A transformação da castanha em óleo e derivados, com processamento local, pode elevar a renda de mais de 190 famílias em até 60%, conforme dados da Assoab.
Mais da metade dessas famílias vive em quatro Terras Indígenas nos municípios de Beruri, Lábrea e Tapauá, o que evidencia a importância da cadeia para comunidades tradicionais e para a manutenção de modos de vida.
Desde 2018, a Assoab mantém uma parceria de longo prazo com uma empresa do setor de cosméticos voltada ao fortalecimento da cadeia da castanha, à valorização do trabalho extrativista e à ampliação da renda nas comunidades.
Sustentabilidade, energia limpa e circularidade
A agroindústria adota soluções de circularidade e eficiência energética, usando resíduos da casca da castanha para alimentar a caldeira e sistemas de captação de água da chuva nas operações.
A associação também acessou recursos para a implantação de energia fotovoltaica, atualmente em fase de implementação, e foi a única associação de base comunitária no mercado da castanha no Amazonas a acessar recursos não reembolsáveis para sistemas de captação de água da chuva e energia limpa.
As melhorias foram viabilizadas, entre outros fatores, por meio do Mecanismo de Financiamento Amazônia Viva, que mobiliza crédito e investimentos estruturantes voltados ao fortalecimento da economia local e à conservação da floresta.
Perspectivas e diversificação de cadeias produtivas
Com a estrutura concluída, a agroindústria se prepara para iniciar as operações a partir da próxima safra, prevista para o primeiro trimestre de 2026, e tem potencial para beneficiar até 100 toneladas de matéria-prima por ano, conforme disponibilidade em campo.
Segundo Mauro Costa, gerente sênior de Relacionamento e Abastecimento da Sociobiodiversidade da Natura, “A infraestrutura permite garantir qualidade e rastreabilidade dos bioativos da Amazônia e abre caminho para novas cadeias produtivas além da castanha, como murumuru, cupuaçú e tucumã, Isso diversifica a renda da comunidade e fortalece a resiliência da cadeia frente a eventos climáticos”, afirmou.
Para Angela Pinhati, diretora de Sustentabilidade da companhia, essas iniciativas demonstram que desenvolvimento econômico e conservação ambiental podem caminhar juntos, o que reforça o papel da castanha sustentável como estratégia para manter a floresta em pé e gerar renda local.











