Massacre do Compaj, justiça do Amazonas condena réus: Anderson Silva do Nascimento recebe 109 anos e 10 meses e Geymison 11 anos e nove meses nas primeiras sentenças

Justiça do Amazonas condena réus ligados ao Massacre do Compaj, com penas que somam mais de 100 anos, incluindo 109 anos e 10 meses para um dos primeiros julgados

Três juízes e o Ministério Público do Amazonas concluíram um dos julgamentos mais longos e complexos da Comarca de Manaus.

Dois réus foram condenados, com penas aplicadas em regime fechado, e mandados de prisão foram expedidos pela 2.ª Vara do Tribunal do Júri.

As sentenças foram publicadas na quinta-feira (15), conforme informação divulgada pelo g1.

Detalhes das condenações

Anderson Silva do Nascimento já estava preso e participou presencialmente do júri, no Fórum de Justiça Ministro Henoch Reis. Geymison Marques de Oliveira participou por videoconferência, com a defesa justificando a ausência presencial devido a ameaças de morte recebidas.

As sentenças respaldaram condenações por diversos crimes graves. Conforme o julgamento, foram aplicadas as seguintes qualificações e espaços de responsabilização:

Anderson Silva do Nascimento recebeu uma pena de 109 anos e 10 meses de prisão. Geymison Marques de Oliveira foi condenado a 11 anos e nove meses de prisão.

O colegiado considerou, entre os delitos, a seguinte descrição, indicada no processo, Prática de Homicídio Qualificado (56 vezes): por motivo torpe (ligado à disputa de facções), meio cruel e recurso que dificultou a defesa das vítimas; Tentativa de Homicídio; Vilipêndio de Cadáver (45 vezes): referente aos atos de esquartejamento e decapitação;Tortura: praticada contra as vítimas antes da morte; e Organização Criminosa: pela afiliação e atuação estruturada dentro de uma facção criminosa.

Contexto do ataque e investigação

O episódio ocorreu em 2017 no Complexo Penitenciário Anísio Jobim, em Manaus, e resultou em 56 mortes, sendo considerado o segundo maior massacre em presídios do Brasil por número de vítimas.

Na ocasião, presos da facção Família do Norte invadiram a ala ocupada por detentos ligados ao Primeiro Comando da Capital. A rebelião durou cerca de 17 horas, e o ataque deixou corpos esquartejados, decapitados e queimados, enquanto 112 detentos fugiram antes da rendição.

Autoridades e especialistas apontaram o rompimento de alianças entre facções e a disputa pelo controle do tráfico como causas centrais do conflito. O então secretário de Segurança, Sérgio Fontes, afirmou que a FDN comandou o ataque e que o motim “não havia sido planejado previamente”.

Desdobramentos judiciais e próximos passos

Este é o primeiro de 22 processos relacionados ao Massacre do Compaj, considerado o segundo maior massacre em presídio do Brasil, em número de vítimas, ficando atrás apenas do episódio do Carandiru.

Os processos restantes deverão ser pautados pela 2.ª Vara do Tribunal do Júri ao longo do ano de 2026. A Justiça já expediu mandados de prisão decorrentes das condenações agora proferidas.

O julgamento, que teve início em 9 de dezembro de 2025 e se estendeu até 13 de dezembro, contou com quatro membros do Ministério Público do Amazonas e com as defesas técnicas dos réus, incluindo dois defensores públicos e um advogado. A expectativa é de que os próximos julgamentos mantenham o mesmo nível de complexidade processual.

Impacto e memória

Além das condenações, o episódio levou a mudanças na gestão das unidades prisionais no Amazonas, após nova rebelião em 2019 que deixou 15 mortos e motivou a troca da empresa responsável pela administração do Compaj.

Familiares de vítimas, especialistas em segurança pública e autoridades acompanham a tramitação das ações penais que seguem em curso, enquanto o sistema prisional e as políticas de controle de facções permanecem no centro do debate público.