Mãe segura filho por 30 minutos à deriva após naufrágio em Manaus, sobrelotação e falta de coletes na lancha Lima de Abreu XV

Sobrevivente conta que manteve o filho fora da água por cerca de 30 minutos à deriva, e denuncia superlotação e falta de coletes no naufrágio em Manaus com a lancha Lima de Abreu XV

Uma empresária descreveu o desespero de segurar o filho sobre um cooler por cerca de 30 minutos, enquanto aguardava apoio em boias após o acidente que deixou mortos e desaparecidos.

De acordo com o relato, a lancha começou a bater forte nas ondas e a parte dianteira encheu de água, e passageiros pediram para reduzir a velocidade sem ser atendidos.

Os relatos e os dados sobre mortes, desaparecidos e buscas foram obtidos, conforme informação divulgada pelo g1.

O que a sobrevivente contou sobre o momento do naufrágio

Segundo a empresária Júlia Moraes, a lancha começou a balançar muito ao passar por uma área conhecida como “gelão”, e passageiros, inclusive a cunhada dela, passaram a gritar pedindo para diminuir a velocidade. Ela lembrou que “A minha cunhada começou a gritar pedindo para diminuir. E o rapaz falou, brincando, que aquele era o ‘jato expresso que corre na água’. Depois disso, a lancha começou a bater muito forte.”

Por volta de 20 minutos depois do início das ondas, a dianteira da embarcação começou a encher, e muitos passageiros correram para a popa para escapar da água, segundo o depoimento. Júlia disse que a embarcação estava superlotada e que não havia coletes salva-vidas para todos, e que alguns coletes estavam em más condições.

O resgate, as falhas e as imagens do acidente

Júlia relatou que colocou o filho sobre um cooler para mantê-lo fora d’água e passou cerca de 30 minutos segurando a criança até conseguir apoio em uma boia, quando os sobreviventes ficaram à deriva aguardando socorro.

Ela disse ainda que a primeira embarcação que passou pelo local “Eles só tiraram foto, fizeram vídeo e passaram direto. Não ajudaram a gente”, e descreveu cena de pânico geral entre as vítimas. Em outro trecho do depoimento, Júlia contou, “Tinha gente tirando colete do outro para tentar se salvar. Quando eu olhei para o lado, vi um moço se debatendo. Depois percebi que ele estava morto. É a pior sensação da face da terra. Um monte de crianças chorando, tomando água”.

Vídeos obtidos pela Rede Amazônica mostram várias pessoas na água, inclusive crianças, em cima de botes salva-vidas, enquanto aguardavam socorro, e imagens registram embarcações próximas tentando auxiliar no resgate.

Vítimas, buscas e medidas tomadas

O acidente ocorreu por volta das 12h30 de sexta-feira, quando a lancha Lima de Abreu XV saiu de Manaus com destino a Nova Olinda do Norte. Duas pessoas morreram, uma delas uma criança e uma jovem de 22 anos, e sete seguem desaparecidas, segundo os dados divulgados sobre o caso.

O comandante da lancha, identificado como José Pedro da Silva Gama, de 42 anos, foi detido em flagrante no porto da capital com outros sobreviventes, e, após pagamento de fiança, foi colocado em liberdade, ficando sujeito a responder por homicídio culposo.

A Marinha do Brasil informou que mantém equipes nas buscas pelo naufrágio, e que foram empregadas uma aeronave do 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral do Noroeste, uma embarcação do 1º Batalhão de Operações Ribeirinhas e duas lanchas da Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental.

Investigação e perguntas que ficam

Foi instaurado um Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação IAFN para apurar causas e responsabilidades, e as equipes também coletaram dados dos sobreviventes para ajudar nas buscas e na investigação.

As principais questões são a possível conduta do condutor diante das informações de passageiros sobre o banzeiro, a condição de segurança da embarcação, e a falta de coletes, que moradores e passageiros apontam como fatores que agravaram a tragédia no naufrágio em Manaus.

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