Macacos-barrigudos resgatados no Amazonas chegam de avião ao Espírito Santo para integrar programa de conservação, um foi vítima de maus-tratos

Dois macacos-barrigudos, mantidos de forma irregular como animais domésticos no Amazonas, desembarcaram no Espírito Santo nesta terça-feira, após transporte aéreo com escala em Guarulhos.

Os animais, chamados Barrigudinho e Bob, agora integram um programa de conservação em um zoológico da região Serrana, onde receberão acompanhamento veterinário e ambiental especializado.

O caso chamou atenção porque um dos macacos era vítima de maus-tratos, e a transferência por avião reduziu o estresse e o tempo de deslocamento em relação a uma viagem por estrada, que poderia durar cerca de dez dias.

conforme informação divulgada pelo g1.

Resgate e condição dos animais

Os dois primatas, da espécie Lagothrix lagotricha cana, vivem em situação de risco por conta do tráfico e da manutenção ilegal como pets. Barrigudinho, o mais jovem, foi entregue voluntariamente ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas, o Ipaam, em Manaus, após o tutor relatar dificuldades para cuidar do animal.

Bob foi encontrado em situação de maus-tratos no município de Tefé, amarrado a uma árvore, sem acesso a água e sem alimentação adequada. Depois de atendimento veterinário inicial, ele foi encaminhado ao Centro de Triagem de Animais Silvestres do Amazonas, o Cetas-AM, vinculado ao Ibama.

Transporte aéreo, tempo de viagem e redução do estresse

A transferência dos macacos do Amazonas para o Espírito Santo foi feita por avião, com roteiro Manaus, escala em Guarulhos, e chegada a Vitória. Segundo as informações, o transporte aéreo diminuiu significativamente o tempo de deslocamento e o estresse para os animais.

Se o trajeto fosse percorrido apenas por estrada, a viagem poderia ultrapassar 11 mil quilômetros e durar cerca de dez dias, o que aumentaria riscos à saúde e ao bem-estar dos animais resgatados.

Acolhimento e programa de conservação

Os macacos foram destinados ao ZooPark da Montanha, em Marechal Floriano, onde passarão a viver em ambientes controlados, com acompanhamento de equipes técnicas e veterinárias. Segundo o zoológico, quando possível, os descendentes podem ser preparados para futura reintrodução à natureza.

O acolhimento em um centro especializado busca assegurar cuidados, recuperação e, a longo prazo, contribuir para a conservação da espécie, que sofre com a perda de habitat e com a captura ilegal.

Espécie ameaçada e contexto legal

O macaco-barrigudo é nativo da região amazônica e do cerrado, e está entre os animais mais afetados pelo tráfico e pela criação ilegal como pets, prática considerada crime ambiental.

A espécie Lagothrix lagotricha cana está na lista de animais ameaçados de extinção na categoria “Em perigo”, conforme a Avaliação do Risco de Extinção das Espécies da Fauna Brasileira do ICMBio. Eles são mais comumente encontrados nos estados do Acre, Amazonas, Mato Grosso, Pará e Rondônia.

O caso reforça a necessidade de fiscalização e de campanhas de conscientização para coibir o tráfico de fauna, e ressalta a importância de centros de triagem e de programas de conservação para espécies ameaçadas.