Operação Meia Verdade em Manaus desmonta esquema de venda de meia-passagem por meio de cadastros falsos de estudantes, com prisões temporárias, buscas e prejuízos estimados em milhões
Quatro pessoas foram presas nesta quinta-feira, durante a Operação Meia Verdade, acusadas de integrar um grupo que aplicava o golpe da meia-passagem por meio de cadastros falsos de estudantes. A ação cumpriu mandados em diferentes bairros de Manaus e continua com procuras por suspeitos foragidos.
O esquema, segundo investigação, começou nas redes sociais, onde eram oferecidas vagas em instituições de ensino de fachada, com a finalidade de efetuar o cadastro e obter o benefício irregular.
As informações sobre a operação e os dados das investigações foram divulgados pela Polícia Civil e pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas, Sinetram, conforme informação divulgada pela Polícia Civil e pelo Sinetram.
Como funcionava o golpe da meia-passagem
O grupo se passava por instituições de ensino fictícias nas redes sociais e oferecia a venda da meia-passagem a pessoas que não tinham direito ao benefício. O golpe ocorria na etapa inicial do processo, quando os dados dos supostos estudantes eram inseridos no sistema público de cadastro.
De acordo com o delegado Charles Araújo, “A fraude foi detectada em dezembro de 2025, quando o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) identificou um volume atípico de inscrições vinculadas a escolas, muitas das quais eram fictícias ou inexistentes, que anunciavam na internet a venda de meia passagem para pessoas sem direito ao benefício”, explicou o delegado.
Segundo a Polícia Civil, o esquema causou prejuízo estimado em R$ 3 milhões com o comércio ilegal de meia-passagem, valor que representa apenas parte do impacto identificado até o momento.
Prisões, mandados e pessoas procuradas
A operação cumpriu nove mandados judiciais, sendo quatro de prisão temporária e cinco de busca e apreensão. As prisões temporárias foram contra dois homens, de 32 e 41 anos, e duas mulheres, de 28 e 29 anos, realizadas em diferentes bairros da capital.
Outras duas pessoas seguem sendo procuradas pela polícia. Uma delas foi identificada como Wallace Avelar Rodrigues. Informações sobre o paradeiro do suspeito podem ser repassadas aos números (92) 98827-8814 ou 3667-7543, do Nurrc, 197 ou (92) 3667-7575, da PC-AM, ou pelo 181, da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas, SSP-AM.
Os presos vão responder pelos crimes de associação criminosa, estelionato e inserção de dados falsos em sistemas de informação, e permanecerão à disposição da Justiça.
Impacto financeiro e posição do Sinetram
O gerente de Operações do Sinetram, Tarcío Marques, afirmou que o prejuízo pode ser ainda maior, e trouxe uma estimativa que amplia o impacto financeiro do esquema. “O grupo causou um impacto de cerca de R$ 6 milhões no pagamento de subsídios, que acabam sendo arcados pela população. O Sinetram só emite o cartão após autorização do sistema público, o que indica que a fraude acontece no cadastro feito pelas instituições”, afirmou.
A investigação da Polícia Civil aponta que a fraude acontece na etapa do cadastro, e pode se estender a instituições de ensino reais que eventualmente façam uso indevido do sistema público.
O que muda e como denunciar
A Operação Meia Verdade busca não apenas prender os suspeitos, mas também identificar falhas no controle do sistema de emissão da meia-passagem. Autoridades alertam para a necessidade de maior fiscalização das instituições que realizam cadastros de estudantes.
Cidadãos que detectarem ofertas suspeitas de venda de meia-passagem ou anúncios de instituições de ensino desconhecidas devem registrar denúncia junto aos canais indicados pela polícia, e sempre confirmar a veracidade antes de fornecer dados pessoais.
As investigações continuam e novas informações podem ser divulgadas pelas autoridades competentes.











