Garimpo ilegal no Amazonas, PF destruiu mais de 375 dragas e causou R$ 1,408 bilhão em prejuízos, bloqueou R$ 74 milhões e resgatou trabalhadores

Operações da Polícia Federal no Amazonas em 2025 atacaram a cadeia financeira do garimpo ilegal, destruíram equipamentos, promoveram bloqueios e resgataram trabalhadores em situação degradante

As ações da Polícia Federal mobilizaram equipes em rios federais, unidades de conservação e terras indígenas, com foco em reduzir a rentabilidade do garimpo ilegal e atingir a logística das organizações criminosas.

Como parte das medidas, foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão, além de bloqueios de ativos, visando desestruturar a cadeia financeira da extração clandestina de ouro.

Os dados oficiais mostram impacto direto sobre equipamentos e sobre grupos estruturados para exploração, lavagem e comercialização do minério, conforme informação divulgada pelo g1.

Destruição de equipamentos e prejuízos

Segundo os dados, as operações resultaram na destruição de mais de 375 dragas, balsas e outras estruturas de mineração usadas por garimpeiros no estado e prejuízos estimados que somam R$ 1,408 bilhão apenas nas operações com valores oficialmente divulgados, segundo dados obtidos com exclusividade pelo g1.

Em ações específicas, foram encontradas e destruídas 16 dragas em Jutaí, mais de 270 dragas em Humaitá e Manicoré em uma operação de setembro, 14 dragas em ação na fronteira com a Colômbia em novembro, e 10 dragas durante uma operação de três dias em rios do Amazonas, o que mostra o alcance das ofensivas.

Ataque à cadeia financeira

A PF também avançou sobre a estrutura financeira do crime, com bloqueio de mais de R$ 74 milhões em ativos e medidas para atingir a logística e a comercialização do ouro, com o objetivo de descapitalizar os grupos envolvidos.

As operações tiveram caráter estrutural, buscando não apenas destruir equipamentos, mas eliminar canais de escoamento do minério e instrumentos usados para lavagem de dinheiro, visando reduzir a lucratividade do garimpo ilegal.

Direitos humanos, resgates e condições análogas à escravidão

As ações revelaram graves violações de direitos humanos, com trabalhadores resgatados de condições degradantes em garimpos no interior do Amazonas, inclusive em Maués, e encaminhados para atendimento.

“Durante todo o ano de 2025, houve diversas operações neste sentido. Isso nos leva a conclusão de que o garimpo ilegal deixa de ser uma prática criminosa isolada e ganha contornos das grandes organizações criminosas, que trazem prejuízos a ambientais, sociais e aos direitos humanos”, explicou o delegado e chefe da Delegacia de Meio Ambiente da Polícia Federal no Amazonas, em exercício, Jonathas Simas.

Alcance territorial e cooperação internacional

As operações percorreram áreas remotas, reforçando a presença do Estado em regiões de difícil acesso, e envolveram cooperação internacional, como na ação conjunta com a polícia da Colômbia na fronteira amazônica.

O conjunto das medidas mostra uma estratégia que combina ofensivas ostensivas, bloqueios financeiros e ações de proteção a direitos humanos, com objetivo de enfraquecer o garimpo ilegal no Amazonas e suas redes de comercialização.