A esposa do deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), Roberto Cidade, Thaisa Coelho, gerou polêmica ao se autointitular nas redes sociais como “primeira-dama do Legislativo”. O título apareceu em sua biografia no Instagram e rapidamente repercutiu negativamente, sendo alvo de piadas, críticas e discussões sobre o uso indevido de símbolos do poder público.
Mas afinal, esse título existe? A resposta é simples: não. No Brasil, o termo “primeira-dama” é usado informalmente para se referir à esposa do chefe do Poder Executivo, como presidente, governador ou prefeito, e mesmo assim, não tem qualquer respaldo legal. No Legislativo, essa denominação não existe nem como cargo, nem como tradição.
Ao se autoproclamar “primeira-dama do Legislativo”, a esposa de Roberto Cidade ultrapassa um limite simbólico importante. A Assembleia Legislativa é uma instituição republicana, com representantes eleitos para servir à população, e não um espaço familiar ou monárquico. Não cabe a nenhum parente de parlamentar se apropriar de um status institucional que não possui.
A reação popular nas redes sociais foi imediata. Comentários como “primeira-dama da casa dela, talvez” e “a Assembleia virou reinado agora?” refletem o incômodo causado por essa tentativa de transformar uma função pública em palco de prestígio pessoal. É a personalização da política em sua forma mais simbólica e perigosa.
É importante lembrar que Thaisa Coelho não exerce nenhum cargo público. Ela não foi eleita, não representa formalmente o Legislativo e não responde por nenhuma ação institucional da Aleam. A adoção de um título que remete a poder e representatividade, mesmo que só nas redes, transmite uma mensagem distorcida: a de que a Assembleia Legislativa teria uma “primeira-dama”, como se fosse parte de uma estrutura de poder familiar ou hereditário.
Essa atitude, ainda que aparentemente inofensiva, diz muito sobre a cultura política que alguns desejam promover. Uma cultura em que instituições são tratadas como extensões do ego ou do lar, e em que símbolos públicos são apropriados como acessórios de status.
O episódio serve de alerta. É preciso resgatar a seriedade da função pública e reforçar os limites entre o pessoal e o institucional. A Assembleia Legislativa é uma casa do povo e não da família de quem a preside.











