Em Boa Vista, 15 variedades clonadas de batata-doce estão sendo avaliadas em campo experimental, com foco em maior qualidade nutricional, adaptação ao clima e produtividade
Pesquisadores da Embrapa testam em Boa Vista 15 variedades clonadas da batata-doce, com materiais biofortificados que prometem mais vitaminas e minerais para a dieta.
O experimento ocorre em um campo experimental na zona rural da capital, onde três clones já foram validados e podem ser comercializados, segundo responsáveis pelo projeto.
Os resultados foram apresentados a produtores locais durante visita técnica ao campo, gerando expectativa sobre produtividade e uso em agricultura familiar, conforme informação divulgada pelo Amazônia Agro.
Como a biofortificação e a clonagem atuam na batata-doce
A biofortificação melhora plantas por meio de cruzamentos naturais e seleção das mais nutritivas, explicam os pesquisadores envolvidos no programa nacional de melhoramento da batata-doce. No caso testado em Boa Vista, o objetivo é combinar maior valor nutricional com melhor adaptação ao clima local.
A técnica consiste em cruzar diferentes variedades e escolher as “filhas” que apresentam maior concentração de nutrientes. Além do ganho nutricional, os materiais são selecionados para produtividade e resistência às condições locais.
Resultados em campo e validação das variedades
O material é produzido originalmente pela Embrapa Hortaliças, no Distrito Federal, e depois distribuído para avaliação em outras regiões, incluindo Roraima. Em Boa Vista, das 15 batatas-doces clonadas, três foram validadas e podem ser comercializadas, conforme detalhou a equipe técnica.
A pesquisadora Cássia Pedroza, da Embrapa, descreveu os clones, afirmando, “A gente também temos os clones biofortificados. Então o que são esses clones? São materiais genéticos que tem um diferencial nutricional em vitaminas e antioxidantes. Então, a gente tem aqui a batata de polpa alaranjada, por exemplo, que tem um alto teor de betacaroteno, que dentro do nosso organismo se converte em vitamina A”.
Impacto para produtores, números locais e desafios no cultivo
Na zona rural de Boa Vista, a cultura já cresce principalmente em áreas de agricultura familiar, com produção significativa. Conforme dados do município, “a produção chegou a 40 hectares em 2025, segundo dados do município. A média é de 50 toneladas por hectares, com duas safras ao ano.” Esses números mostram potencial para ampliar oferta e renda local.
Produtores que participaram da visita técnica demonstraram interesse em adotar os clones. O agricultor Adir de Brito, que cultiva batata-doce há 10 anos, disse, “Agora nós temos conhecimentos aqui que é relevante a essa área técnica aqui está com uma variedade ótima. Quando for liberado a licença para plantarmos dela, vamos ter uma boa produtividade”.
Apesar do otimismo, há desafios no manejo, especialmente climáticos. O produtor Mohamed Hamdy observou, “Nós queremos entregar a batata entre 110 e 120 dias, como o clima aqui é mais quente, ele não ajuda a entregar a batata mais cedo. Outra coisa, é que, quando cai muita chuva, ela influencia muito na produção de batata”.
O que vem a seguir para a batata-doce em Roraima
O estudo em Roraima está em fase final de desenvolvimento e as próximas etapas incluem a liberação de licenças para multiplicação e comercialização das variedades validadas, além de extensão rural para orientar produtores sobre manejo e irrigação.
Se adotados em larga escala, os clones biofortificados de batata-doce podem ampliar a oferta de alimentos com maior teor de vitaminas, como o betacaroteno, e fortalecer cadeias produtivas locais, beneficiando tanto agricultores familiares quanto produtores profissionais.












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