CASO BENÍCIO: delegado pede prisão de médica, mas salvo conduto do TJAM impede detenção

Ordem da desembargadora Onilza Abreu Gerth proíbe prisão preventiva e mandados de busca durante a investigação

O delegado Marcelo Martins, responsável pelo inquérito que apura a morte do menino Benício Xavier, afirmou nesta sexta-feira (28) que considera necessária a prisão preventiva da médica Juliana Brasil Santos, investigada pelo caso. No entanto, uma decisão da Justiça já impede que a detenção aconteça: a magistrada Onilza Abreu Gerth, do Tribunal de Justiça do Amazonas, concedeu à médica um salvo-conduto que barra qualquer pedido de prisão preventiva e também veda buscas em sua residência enquanto durar a investigação. Conforme apuração de A Crítica, o delegado do caso representou por pedido de prisão preventiva já na quarta-feira (26), um dia antes do salvo conduto ser concedido.

O salvo-conduto foi assinado na quinta-feira (27), mas só se tornou público nesta sexta, dia em que Juliana compareceu ao 24º Distrito Integrado de Polícia, por volta das 9h, para prestar depoimento acompanhada da técnica de enfermagem envolvida no atendimento e de seus advogados.

Durante a oitiva, o delegado reforçou que, na visão dele, a prisão preventiva seria a medida adequada, mesmo reconhecendo que caberá ao Ministério Público e ao Judiciário avaliar o caso. “Se ela não verificou a prescrição em relação a uma criança de 6 anos, gerando o resultado morte, quem me garante que não fará isso de novo em outro hospital?”, declarou.

A defesa da médica sustenta que houve erro de terceiros, afirmando que Juliana prescreveu adrenalina para nebulização e que a aplicação intravenosa teria sido feita por um técnico de enfermagem. Os advogados também alegam falha no sistema do hospital, que teria alterado automaticamente o nome do médico responsável na prescrição, e dizem que a médica tentou reverter o quadro ao solicitar propranolol e acompanhar a criança até a UTI. Esses elementos, além de um laudo psiquiátrico que aponta abalo emocional, foram considerados pela desembargadora ao conceder o salvo-conduto.

A Polícia Civil, contudo, trabalha com a conclusão preliminar de que Benício sofreu overdose de adrenalina, resultando em pelo menos seis paradas cardíacas antes da morte. Médicos experientes ouvidos pela investigação afirmam que não existe antídoto específico para esse tipo de quadro, contrariando a interpretação da defesa sobre o uso de propranolol. A polícia ainda busca esclarecer quantas doses foram aplicadas, quem administrou o medicamento e as circunstâncias que levaram ao erro. O Hospital Santa Júlia forneceu imagens internas, que seguem em análise. O inquérito deve ser concluído em menos de 30 dias.