Aprosoja e Abiove recorrem à Justiça para suspender pedágios BR-364 entre Vilhena e Porto Velho, alegando prejuízo ao agronegócio de Rondônia

A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Rondônia, junto com a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais, entrou na Justiça Federal para pedir a suspensão da cobrança de pedágios na BR-364, no trecho entre Vilhena e Porto Velho.

A ação pede decisão urgente, alegando falta de previsibilidade e transparência nas decisões que afetam a economia do estado, e aponta que as mudanças no contrato de concessão ocorreram de forma rápida no fim de 2025.

A Aprosoja-RO afirma que a antecipação da cobrança dos pedágios em quase seis meses em relação ao cronograma inicialmente previsto prejudica o planejamento do agronegócio e gera insegurança para contratos e fretes.

conforme informações da Aprosoja-RO e nota da concessionária Nova 364 à Rede Amazônica.

O que a ação na Justiça pede

A ação, apresentada nesta quinta-feira, envolve a suspensão imediata da cobrança de pedágios eletrônicos na BR-364, no trecho que liga Vilhena a Porto Velho. A Aprosoja-RO e a Abiove pedem uma decisão cautelar devido ao caráter urgente dos impactos econômicos.

Segundo a entidade, a alteração do contrato foi feita de forma célere no fim de 2025, com a antecipaçã o da cobrança dos pedágios em quase seis meses em relação ao cronograma previsto, sem aviso prévio adequado e sem tempo para adaptação das cadeias produtivas.

Impacto no agronegócio, segundo produtores

Para o consultor de Relações Governamentais da Aprosoja-RO, Tiago Rocha, a medida prejudica o planejamento do agronegócio, que organiza vendas, fretes e financiamentos com meses de antecedência.

Tiago Rocha destacou, em declaração citada pela Aprosoja-RO, que “Os dados técnicos confirmam esse cenário, o estudo do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostra que, com essa cobrança de pedágio, haverá uma redução de quase 3 milhões de toneladas no transporte de cargas de Mato Grosso que passa por Rondônia. Isso representa uma retração de 44% no volume transportado. Na prática, isso significa menos carga passando pelo Estado, menos atividade econômica, menos geração de renda e perda de escala logística para Rondônia”, disse.

A entidade ressalta que não é contra concessões ou investimentos em infraestrutura, mas defende que mudanças desse porte sejam feitas com planejamento e aviso prévio, para preservar contratos, logística e renda regional.

Posição da concessionária Nova 364

A concessionária Nova 364, responsável pela rodovia, informou, em nota à Rede Amazônica, que a cobrança dos pedágios eletrônicos da BR-364 começou após o cumprimento das obrigações contratuais. A empresa afirmou que já investiu mais de R$ 360 milhões em obras de manutenção, segurança viária e serviços operacionais e que mantém o diálogo aberto com entidades representativas.

Esses argumentos da concessionária sustentam que a operação dos pontos de cobrança seguiu critérios contratuais, enquanto produtores e indústrias contestam o timing e a falta de comunicação prévia.

Próximos passos políticos e jurídicos

Além da ação judicial, a Aprosoja-RO informou que mantém conversas com senadores de Rondônia para solicitar uma audiência pública no Senado Federal, com início dos trabalhos legislativos previsto para a primeira semana de fevereiro.

Os produtores querem apresentar dados sobre os impactos econômicos e sociais da concessão para Rondônia, e buscam combinar pressão política com a tramitação judicial para tentar suspender a cobrança enquanto o mérito da ação é analisado.

O desfecho dependerá agora da resposta da Justiça Federal ao pedido cautelar e do debate entre concessionária, representantes do agronegócio e autoridades federais e estaduais.