Compra de votos David Almeida Manaus: PF investiga R$38 mil repassados a pastores, quatro celulares apreendidos sem perícia e autorização judicial sem prazo

PF investiga suspeita de compra de votos ligada a David Almeida em Manaus, R$38 mil citados por pastores, quatro celulares apreendidos, perícia autorizada pelo juiz sem prazo determinado

A Polícia Federal abriu um inquérito para apurar uma denúncia de compra de votos envolvendo o prefeito de Manaus, David Almeida, durante a campanha de 2024.

A ação ocorreu na véspera do segundo turno e resultou na apreensão de envelopes com dinheiro, além de quatro celulares que ainda não passaram por perícia.

Os detalhes do caso constam em reportagem e documentos, conforme informação divulgada pela Opera.

Operação, apreensões e relatos

A operação policial foi realizada em 26 de outubro de 2024, na véspera do segundo turno das eleições municipais, em um imóvel ligado à Igreja Pentecostal Unidos do Brasil, no bairro Monte das Oliveiras, Zona Sul de Manaus.

Agentes recolheram quatro aparelhos celulares com pastores que não tiveram a identidade divulgada, e, em uma sala, localizaram envelopes com dinheiro, cada um contendo R$ 200, totalizando R$ 21 mil em espécie.

Segundo os pastores, o valor encontrado fazia parte de R$ 38 mil recebidos na noite anterior de uma pessoa identificada no processo apenas como “Eliezer”.

Dois dirigentes da igreja foram presos em flagrante e liberados após pagamento de fiança de R$ 15 mil cada, respondendo ao processo em liberdade.

Um policial federal que participou da ação relatou, “Lá dentro tinham umas três ou quatro pessoas. Em cima da mesa havia uma mochila de notebook e uma sacola. Dentro da sacola, encontramos vários envelopes brancos com dinheiro. Cada um tinha R$ 200 e uma pequena numeração. A informação que recebemos era de que, durante a manhã, pessoas iriam ao local apenas para pegar o envelope. Não haveria culto nem qualquer outra atividade, seria somente a entrega desses valores”.

Celulares apreendidos e atraso na perícia

Quatro aparelhos recolhidos na ação podem conter registros relevantes para esclarecer se houve efetiva compra de votos relacionada a David Almeida, porém, segundo a investigação, esses celulares ainda não passaram por perícia.

O delegado da Polícia Federal responsável pelo caso, Eduardo Zózimo, pediu o acesso ao conteúdo dos celulares, o Ministério Público concordou, e, no dia 25 de novembro de 2024, o juiz eleitoral Anésio Rocha Pinheiro autorizou o acesso ao conteúdo dos aparelhos, sem determinar prazo para a realização da perícia.

Especialistas consultados afirmam que a demora não é comum. O advogado Alexandre Nogueira afirmou que “existe um dispositivo na Lei Geral das Eleições que determina que os processos eleitorais relacionados àquela eleição que devem ser concluídos no prazo de um ano” e acrescentou que “o procedimento investigatório não pode ter prazo infinito, ele precisa ser razoável”.

Trâmite judicial e posicionamentos

O Ministério Público informou, por meio de nota, que o promotor Jorge Alberto Gomes Damasceno não vai se pronunciar, alegando que qualquer manifestação poderia comprometer o andamento do processo.

A Secretaria Municipal de Comunicação não respondeu aos pedidos para esclarecer se há ligação entre o prefeito e os pastores presos, e a reportagem não obteve posicionamento formal de David Almeida até a última atualização.

O delegado Eduardo Zózimo também não quis comentar por que a perícia nos celulares ainda não foi realizada, segundo a apuração.

Impacto político e próximos passos

David Almeida foi reeleito prefeito de Manaus em 2024 e já manifestou interesse em disputar o governo do Amazonas, o que torna as investigações especialmente sensíveis politicamente.

O caso segue, portanto, com pontos-chave pendentes, especialmente a análise pericial dos aparelhos apreendidos, que pode trazer informações decisivas sobre a suposta compra de votos atribuída a integrantes da campanha e citada no inquérito.

A investigação continuará tramitando na esfera eleitoral, e a resolução depende, em grande parte, da conclusão da perícia nos celulares e da avaliação das provas coletadas, conforme documentação disponível na apuração da Opera.

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