Rastro luminoso no céu de Tabatinga, Amazonas: vídeo de 10 segundos mostra três trilhas e pesquisador da UEA aponta provável lixo espacial por baixa velocidade

Vídeo de cerca de 10 segundos registra três trilhas luminosas sobre Tabatinga, no interior do Amazonas, e pesquisador associa o fenômeno à reentrada de fragmentos em vez de meteoro

A gravação tem cerca de 10 segundos e mostra, inicialmente, três rastros luminosos que desaparecem à medida que atravessam a atmosfera. O registro foi feito na noite de domingo, por volta das 23h, e surpreendeu moradores de Tabatinga.

O videomaker Lacruz disse que decidiu gravar por considerar a cena, “um fenômeno que não vemos normalmente por aqui”, o que motivou dúvidas sobre o que cruzou o céu da cidade. A imagem curta gerou interesse e questionamentos locais.

Após análise, o pesquisador Nélio Sasaki, do Centro de Astronomia da Universidade do Estado do Amazonas, concluiu que o registro é, provavelmente, de lixo espacial, com base na velocidade observada, conforme informação divulgada pelo g1.

O que mostra o vídeo e como foi registrado

No vídeo, inicialmente aparecem três trilhas brilhantes que se apagam enquanto cruzam o firmamento. A gravação tem aproximadamente 10 segundos, e a sequência foi capturada às 23h do domingo.

O autor do registro, o videomaker Lacruz, afirmou que filmou porque achou o fenômeno incomum, e a curta duração das trilhas despertou curiosidade sobre se se tratava de meteoros ou de outro tipo de objeto.

Por que especialistas apontam para lixo espacial

O p ós-doutor em Astrofísica Nélio Sasaki explicou que o objeto não apresenta características de meteoro. Ele lembrou que, embora meteoros formem rastro luminoso pelo atrito com a atmosfera, a diferença está na velocidade, e não apenas no brilho.

Segundo Sasaki, “Meteoros se deslocam com velocidade altíssima. Já o lixo espacial se move de forma mais lenta. No vídeo, o objeto leva cerca de seis segundos para cruzar o céu, o que indica baixa velocidade”, o que, para o pesquisador, sugere tratar-se de lixo espacial.

Sasaki também observou que “Desde que o céu amazonense foi coberto pelos satélites dessa empresa, tem-se gerado mais lixo espacial. Para garantir cobertura de internet em solo amazônico, foi preciso colocar muitos satélites em órbita. Isso também aumenta a chance de fragmentos reentrarem na atmosfera”, em referência ao aumento de satélites de uma empresa de internet do empresário Elon Musk.

Riscos, orientações e ocorrência de meteoros

O pesquisador afirmou que não há motivo para pânico, porque a maioria dos meteoros e fragmentos de lixo espacial cai no oceano. A chance de atingir áreas habitadas é pequena, mas existe, e a orientação em caso de queda de fragmentos em solo é manter distância.

Como alertou o especialista, “A maioria dos meteoros e fragmentos de lixo espacial cai no oceano. A chance de atingir áreas habitadas é pequena, mas existe. Caso algum objeto caia em solo, a orientação é manter distância. Em situações raras, o impacto pode abrir crateras”.

Quando esses fenômenos são mais comuns

Embora o caso de Tabatinga não seja uma chuva de meteoros, esse tipo de ocorrência aparece diariamente. Em média, cerca de 100 meteoros entram na atmosfera da Terra todos os dias, disse Sasaki, lembrando que a baixa poluição luminosa no interior do Amazonas facilita a observação do céu.

Além disso, há previsão de pico de uma chuva de meteoros entre a noite de quinta-feira, dia 5, e a madrugada de sexta-feira, dia 6, quando é esperado aumento no número de meteoros visíveis. Para quem observa o céu na região, a combinação de menos luz artificial e céu limpo eleva a chance de ver fenômenos semelhantes ao rastro luminoso registrado em Tabatinga.

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