Biocarvão no lavrado de Roraima: UFRR e comunidade Mauixi usam técnica para cultivar melancia doce de seis a oito quilos e gerar renda local

UFRR e comunidade Mauixi aplicam biocarvão no lavrado de Roraima para recuperar solo ácido, viabilizar plantio de melancia e aumentar a renda e segurança alimentar

A comunidade indígena Mauixi, a 80 quilômetros de Boa Vista, conseguiu produzir melancias grandes e doces em área de 3 mil metros quadrados, apesar da baixa fertilidade típica do lavrado.

O resultado foi obtido após parceria com o Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Roraima, por meio do uso do biocarvão, adubo feito de restos orgânicos e aplicado direto na cova no plantio.

Com a colheita, moradores passaram a vender parte da produção no mercado local e avaliam ampliar o cultivo nas próximas safras, rumo à autonomia e à segurança alimentar, conforme informação divulgada pelo g1.

Como funciona o biocarvão e por que ajuda no lavrado

O biocarvão é produzido pela queima controlada de matéria orgânica, como galhos, espinhas de peixe e caroços de açaí, e age melhorando a estrutura do solo e fornecendo nutrientes essenciais.

Na prática, o adubo é colocado diretamente na cova no momento do plantio, entregando fósforo e cálcio onde a planta mais precisa, o que é crucial em solos com baixos teores desses elementos.

O professor e agrônomo responsável pelo estudo explicou a limitação do ambiente, e ressaltou a capacidade do produto, “Os solos em Roraima têm, por natureza, baixa fertilidade. São ácidos e têm teores de fósforo e cálcio muito baixos. Percebemos que esse produto [biocarvão] é muito rico nesses nutrientes. Fizemos a análise do solo, comprovamos a necessidade e instalamos o experimento”.

Resultados na Comunidade Mauixi

O primeiro plantio ocupou cerca de 3 mil metros quadrados e chamou atenção pelo tamanho e pela doçura dos frutos, que pesam entre seis a oito quilos.

Além da melancia, a técnica já foi testada com sucesso no cultivo de milho, e a comunidade começou a comercializar parte da produção no mercado local, criando uma fonte de renda direta.

Sobre a motivação local, o tuxaua Alexandre da Silva relatou a iniciativa da comunidade, “A gente tinha um interesse de cultivar a melancia na comunidade da região e a gente não tinha oportunidade e aí veio a oportunidade junto com a universidade. Fizemos uma assembleia e ele contou do projeto na teoria e tive uma curiosidade de colocar em prática”.

O papel da UFRR e os próximos passos

O acompanhamento técnico foi feito pelo Centro de Ciências Agrárias da UFRR, que monitorou desde a análise do solo até as etapas do plantio e colheita.

Com a safra considerada satisfatória, a comunidade negocia a venda da produção e avalia ampliar o plantio nas próximas safras, com objetivo de fortalecer a produção local e reduzir a dependência externa.

Impactos socioambientais e perspectivas

Para moradores, o projeto representa mais do que um ganho agrícola, representa um passo em direção à autonomia e à segurança alimentar no lavrado roraimense, ecossistema marcado por solos ácidos e baixa fertilidade natural.

Se a técnica for ampliada, a expectativa é que outras comunidades da região possam adotar o biocarvão como alternativa econômica e sustentável para superar as limitações do solo do lavrado.

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