Saído de palcos improvisados em bares de Manaus, o comediante construiu uma trajetória que o levou a integrar uma turnê nacional e a escrever para projetos de alcance maior.
Ao apostar em referências do interior e da periferia do Amazonas, ele busca fortalecer uma identidade própria para o público da região, e levar essa visão aos espectadores de outras partes do país.
No depoimento à imprensa, Roger também refletiu sobre os limites do humor, a experiência de começar na faculdade e o sonho de ver artistas nortistas sustentados pelo seu público.
conforme informação divulgada pelo g1
Raízes e formação do estilo
Roger atribui sua forma de fazer humor aos ciclos da vida, começando na infância em Amaturá e passando pela Zona Leste de Manaus, experiências que, segundo ele, marcaram sua identidade artística.
Como ele mesmo definiu, “Minha vida é feita de ciclos. Primeiro, minha infância no interior do Amazonas, em Amaturá. Depois, quando minha família se mudou para Manaus, vivi na Zona Leste até os 19, 20 anos. Esse contato com a cultura periférica me marcou muito. Hoje, procuro trazer essas vivências de interior e periferia para outras classes sociais, para que elas possam enxergar de outro ponto de vista como é ter essas experiências”.
Esses relatos mostram como o humor da Amazônia nasce de memórias, sotaques e situações cotidianas, elementos que Roger preserva em seu repertório.
Começo inesperado e construção de público
O início na comédia aconteceu de forma imprevista, ainda na faculdade, quando ele foi convidado a substituir uma palestra atrasada, momento que lhe deu a certeza de seguir na profissão.
Nas palavras do comediante, “Aquele dia foi bem ruim, de verdade. Mas aprendi a primeira lição: você decide que quer que aquilo seja sua profissão no dia em que é ruim no palco. Porque no dia que é bom, é óbvio que você quer continuar. Mas se foi ruim e você ainda quer fazer, então tem alguma coisa aí”.
Em Manaus, Roger enfrentou a dificuldade de criar uma cena local, com público que não estava acostumado a frequentar bares e restaurantes para ver stand-up. Foi um processo de tentativa e erro até consolidar plateias.
Turnê nacional e trabalho como roteirista
A mudança para São Paulo, em 2023, ampliou as portas para o comediante, que participou da criação do show “Efeito Borboleta”, de Whindersson Nunes, e integrou a turnê nacional.
Além de se apresentar, Roger passou a atuar nos bastidores, escrevendo para projetos de alcance nacional, o que reforça a presença do Norte no circuito maior do entretenimento brasileiro.
Ao levar elementos regionais para palcos do Sudeste e outras regiões, ele contribui para que o humor da Amazônia seja percebido como parte relevante do cenário nacional.
Limites do riso e sonho de independência
Sobre os limites do humor, Roger defende que qualquer tema pode ser abordado, desde que se considere o contexto do show e as normas do local onde a apresentação acontece.
Ele explicou que, quando contratado por espaços com público diverso, é preciso entender “quais são as normas da casa, quais são os valores da casa”. Já em teatros ou clubes de comédia, onde o público paga para ver e conhece a persona artística, há mais liberdade para tratar de qualquer assunto.
O comediante também falou do desejo de ver uma cena nortista fortalecida e independente, sustentada pelo público. Nas suas palavras, “Eu acho que o meu sonho de valorização é que cada comediante do Norte possa ser independente e viver do seu público, que possa ser sustentado pelo seu público, por aquilo que ele faz de melhor. Que ele não dependa de verba de governo ou de algum projeto político ou partidário, mas que consiga viver bem e viver da sua arte de forma independente”.
Entre o interior do Amazonas e os grandes palcos do país, Roger continua a apostar que contar histórias do Norte, com sotaque, referências e identidade próprias, é uma forma concreta de ocupar espaço e fortalecer o humor da Amazônia no Brasil.












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