Tic, Tic, Tac volta em nova versão que mistura identidade amazônica do tambor e do boi com referências urbanas latinas contemporâneas e tecnologia de inteligência artificial
O clássico amazônico voltou aos holofotes em uma releitura que une nostalgia e inovação.
O músico Rosivaldo Cordeiro lançou uma nova versão de Tic, Tic, Tac, com videoclipe disponível no YouTube e nas principais plataformas de streaming.
Conforme informação divulgada pelo g1
Releitura e comemoração dos 30 anos do sucesso
Rosivaldo, que participou da gravação original do hit enquanto integrava a banda Carrapicho como guitarrista, preparou a nova versão como parte do processo de seu álbum Coração Latino.
Segundo ele, “Essa nova versão nasceu no meio da produção do álbum. Em todos os meus dez anos vivendo na França, essa música sempre foi praticamente obrigatória no repertório dos meus concertos. Então nada mais justo do que repaginar e assumir uma nova leitura que dialogasse com o momento artístico que eu vivo hoje”, contou.
Trabalho musical, ritmos e influências latinas
Mantendo o pulso que consagrou a obra, Rosivaldo incorporou elementos de linguagens urbanas latinas, aproximando o clássico das tendências atuais da música internacional.
“Foi inevitável que essa música absorvesse influências urbanas que fazem parte do meu universo hoje, como J Balvin, Bad Bunny, Maluma, Karol G, Marc Anthony e Juanes. A versão traz uma linguagem contemporânea e até um momento de rap em inglês, criando uma ponte com as novas gerações”, destacou o artista.
A produção buscou atualizar a sonoridade, sem perder a raiz regional, preservando o **tambor** e o **boi** como elementos centrais da identidade amazônica.
Videoclipe, avatar digital e uso de IA
O videoclipe da nova versão traz um recurso visual inusitado, um rapper digital criado com tecnologia de inteligência artificial, que aparece ao lado dos músicos no clipe.
Sobre o processo, Rosivaldo afirmou, “Nós criamos um avatar digital especialmente para essa releitura. A imagem foi desenvolvida pelo meu filho Gael, de 12 anos, e depois animada com inteligência artificial. A voz também foi criada com tecnologia de IA, escolhendo um timbre que dialogasse com a estética urbana contemporânea. Mas é importante dizer: a tecnologia não substitui o artista. Ela é uma ferramenta criativa. A concepção artística continua sendo humana”, afirmou.
Memória, tradição e processo criativo
O músico explicou que o trabalho foi cuidadoso, com atenção aos arranjos e à programação rítmica, para equilibrar tradição e inovação.
“Trabalhamos na concepção musical, arranjos e programação rítmica, sempre buscando atualizar a linguagem urbana sem perder a identidade amazônica do tambor e do boi. A parte visual também exigiu tempo de desenvolvimento criativo. Mesmo utilizando novas tecnologias, cada escolha foi pensada e direcionada artisticamente”, explicou.
Rosivaldo lembra ainda sua ligação com o boi-bumbá como parte da formação artística, “O boi faz parte da minha formação artística e da própria construção fonográfica do Amazonas. Produzi, arranjei ou participei como músico em gravações de praticamente todos os grandes nomes da primeira geração do boi-bumbá contemporâneo. Então não é apenas uma questão de gosto: o boi está na minha história e na minha identidade”, conclui o artista.
O lançamento de Tic, Tic, Tac em nova roupagem chega como homenagem à trajetória do Carrapicho, e como tentativa de dialogar com novas plateias, misturando tradição amazônica, referências latinas urbanas e ferramentas digitais.











