Navegar no Encontro das Águas exige atenção redobrada, diz especialista após naufrágio da lancha Lima de Abreu XV com 3 mortos e buscas complexas

Uma embarcação de passageiros afundou na sexta-feira (13) após deixar Manaus com destino a Nova Olinda do Norte, gerando mortes, resgates e buscas em área de grande risco hidrodinâmico.

O episódio reacendeu o debate sobre segurança na navegação local, a responsabilidade de comandantes e as dificuldades para operações de resgate em pontos de confluência, com correnteza e variação de profundidade.

As informações iniciais e os números do acidente, bem como as falas de autoridades e especialistas, foram publicadas e levantadas em reportagem, conforme informação divulgada pelo g1.

O acidente e o balanço das vítimas

O naufrágio da lancha Lima de Abreu XV, em Manaus, resultou em três mortes e 71 pessoas resgatadas no Encontro das Águas. Segundo os bombeiros, 80 pessoas estavam na embarcação e 71 foram resgatadas sem ferimentos graves.

Após o corpo do cantor gospel Fernando Grandêz, de 39 anos, ser encontrado, subiu para três o número de mortos. Cinco pessoas seguem desaparecidas, segundo o Corpo de Bombeiros.

Várias imagens mostram passageiros na água, incluindo crianças, em botes salva-vidas enquanto aguardavam socorro, e outras embarcações próximas auxiliando nos primeiros minutos após o acidente.

Por que a área é tão perigosa

O local, conhecido pela confluência dos rios Negro e Solimões, forma uma zona de velocidades distintas e de travessia intensa, o que complica a navegação e as operações de salvamento.

Sobre o comportamento das embarcações e os cuidados necessários, a advogada maritimista afirmou, em entrevista, que “O Encontro das Águas, além dele ser um ponto de confluência, de embarcações de todos os tipos, ele é um ponto de encontro de dois rios com velocidades diferenciadas. Então, além de ser um ponto de confluência, ele também é um ponto de travessia. As embarcações têm que trafegar ali com baixa velocidade, estabelecendo sempre a comunicação via rádio”, destacou.

Além das correntes, há variação de densidade e temperatura na água, e a profundidade pode chegar a níveis que tornam as buscas técnicas mais complexas.

Busca, resgate e desafios técnicos

As equipes enfrentam dificuldades por causa das fortes correntes e das mudanças de direção no ponto de confluência. “Fatores hidrodinâmicos do Encontro das Águas interferem muito nas operações de busca. Nós temos mudanças de direcionamento das correntes de arrasto, principalmente do Rio Solimões, que tem uma correnteza mais forte. Nós temos diferença de densidade de temperatura no Encontro das Águas. A profundidade é muito grande também. Isso é um complicador para as operações”, explicou Muniz.

A área da embarcação foi localizada a cerca de 50 metros de profundidade. A força-tarefa envolve mergulhadores, embarcações, drones, um helicóptero e três sonares, com apoio de equipes de Itacoatiara e Parintins, diante da possibilidade de que vítimas tenham sido levadas para áreas mais distantes.

Responsabilidade e investigação

O comandante da lancha, José Pedro da Silva Gama, foi preso em flagrante e liberado sob fiança, respondendo por homicídio culposo. A Justiça solicitou prisão preventiva do piloto ainda no sábado (14) e ele segue foragido.

Especialistas e autoridades ressaltam que, mesmo com regras claras e fiscalização diária, a segurança depende também dos responsáveis pelas embarcações e do cumprimento de normas, como o RPEAN, e da comunicação entre pilotos em pontos de travessia.

Sobre as causas do naufrágio, a advogada maritimista enfatizou que, sem laudo técnico, qualquer discussão seria especulação, e que “Depois de um acidente tão trágico, o foco deve ser o apoio às famílias”, conforme trechos divulgados em reportagem.

Relatos de sobreviventes

Em um vídeo gravado por uma passageira que ficou à deriva, ela relatou ter alertado o condutor da lancha para reduzir a velocidade devido ao banzeiro, dizendo, “falei para ir devagar”.

As buscas continuam enquanto a Marinha e a Polícia Civil abriram inquéritos para apurar as circunstâncias do naufrágio, e equipes seguem vasculhando trechos do encontro dos rios em busca de desaparecidos e para coleta de evidências técnicas.

O caso reforça a necessidade de atenção redobrada em trechos de confluência fluvial, a fiscalização constante e o cumprimento das regras de navegação, para reduzir riscos em uma das áreas mais icônicas e também mais complexas da Amazônia, o Encontro das Águas.

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