Velório em Manaus emociona familiares de Fernando Grandêz, vítima do naufrágio no Amazonas, e reacende cobranças por responsabilização enquanto buscas continuam
O velório do cantor gospel Fernando Grandêz, de 39 anos, reuniu familiares e amigos em clima de comoção e revolta em Manaus.
Com a confirmação de sua morte, subiu para três o número de vítimas do acidente envolvendo a lancha Lima de Abreu XV, que deixou ainda cinco desaparecidos, enquanto equipes seguem trabalhando na região do Encontro das Águas.
As informações e dados foram divulgados por equipes de reportagem e pelos órgãos de segurança, conforme informação divulgada pela Rede Amazônica e pelo Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas.
Velório, emoção e cobranças da família
No velório, parentes pediram apuração e responsabilização pelo acidente, e expressaram indignação com as condições de segurança da embarcação.
Em um dos momentos mais marcantes, foi citada a fala do tio de Fernando, reproduzida na cobertura, “É muito perceptível a irresponsabilidade de como aconteceu a tragedia. Se eu estou conduzindo vidas, se estou conduzindo um veículo, uma embarcação, eu tenho que tomar todas as providências e preocupações. O comandante de uma embarcação ele tem autoridade para determinar que as pessoas usem [colete salva-vida] e isso tem que começar a viver isso, as pessoas não fazem isso”, afirmou o parto Almeida, tio de Fernando Grandêz.
Fernando era conhecido nos eventos religiosos de Manaus, compartilhava apresentações e mensagens de fé nas redes sociais, e também postava fotos de viagens. Em um post citado pela cobertura, ele dizia, “Por isso que eu sempre digo: aproveita a vida. Quer viajar? viaja. Quer dizer um “eu te amo”? Diz. Não deixa pra depois. (…) Então, quanto dá tempo, vamos viver”.
Números do resgate e desafios das buscas
Segundo os relatos oficiais, a embarcação naufragou após sair de Manaus com destino a Nova Olinda do Norte, e, até o momento, “71 pessoas foram resgatadas com vida”. Com a confirmação da morte de Fernando, “o número de vítimas chegou a três. Cinco pessoas seguem desaparecidas”.
A área onde a embarcação ficou foi localizada a cerca de 50 metros de profundidade, e as operações envolvem mergulhadores, embarcações, drones, um helicóptero e três sonares, além de apoio da Marinha e de equipes de municípios vizinhos.
As buscas enfrentam condições complexas, por causa das fortes correntes e das mudanças na dinâmica entre os rios Negro e Solimões. Na descrição técnica reproduzida na cobertura, “Fatores hidrodinâmicos do Encontro das Águas interferem muito nas operações de busca. Nós temos mudanças de direcionamento das correntes de arrasto, principalmente do Rio Solimões, que tem uma correnteza mais forte. Nós temos diferença de densidade de temperatura no Encontro das Águas. A profundidade é muito grande também. Isso é um complicador para as operações”, explicou Muniz.
Relatos de sobreviventes e investigação em andamento
Imagens e depoimentos de sobreviventes mostraram cenas de pessoas na água, inclusive crianças, em botes salva-vidas, enquanto embarcações próximas tentavam prestar socorro. Uma passageira que ficou à deriva relatou em vídeo que havia alertado o condutor para reduzir a velocidade por causa do banzeiro, afirmando, “falei para ir devagar”.
O comandante da lancha foi identificado como José Pedro da Silva Gama, de 42 anos. Ele foi preso em flagrante no porto de Manaus, e, após o pagamento de fiança, foi colocado em liberdade, ele responderá por homicídio culposo. A Justiça chegou a solicitar prisão preventiva do piloto no sábado seguinte ao acidente.
Reforço nas buscas e próximos passos
A Marinha do Brasil informou que mantém equipes no local e ampliou o emprego de recursos, incluindo aeronave do 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral do Noroeste, embarcações do 1º Batalhão de Operações Ribeirinhas e lanchas da Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental.
Equipes de Itacoatiara e Parintins também foram mobilizadas, diante da possibilidade de que sobreviventes ou vítimas tenham sido arrastados para áreas mais distantes do naufrágio. Autoridades informaram que seguem coletando dados dos sobreviventes para auxiliar nas buscas e na apuração das circunstâncias do acidente.
A comunidade religiosa e moradores de Manaus acompanham o caso de perto, com pedidos de esclarecimento sobre protocolos de segurança nas travessias fluviais e sobre as medidas que serão tomadas para evitar novas tragédias.












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