Naufrágio no Encontro das Águas, mãe entrega colete e pede ‘filho, se salva’, dois mortos confirmados, sete desaparecidos, 71 resgatados, buscas enfrentam correntes e grande profundidade
João Henrique, de 17 anos, sobreviveu ao acidente depois que a mãe, Apoliana Almeida, entregou o colete salva-vidas a ele e desapareceu na água, segundo relato do adolescente.
Familiares vivem a angústia da espera, enquanto equipes do Corpo de Bombeiros e da Marinha mantêm buscas na região do Encontro das Águas, local marcado por correntes fortes e mudanças de direção.
A embarcação Lima de Abreu XV saiu de Manaus com destino a Nova Olinda do Norte e afundou, deixando feridos, mortos e desaparecidos, conforme informação divulgada pelo g1.
Relato do sobrevivente e drama da família
João Henrique contou que foi salvo pela própria mãe, Apoliana Almeida. “Eu estava sem colete. Ela me deu o dela, sendo que eu sei nadar e ela não sabia. Ela ficou segurando em mim, mas o desespero bateu. As últimas palavras dela foram: ‘filho, se salva’. Depois disso, ela sumiu”, relatou o adolescente.
Outro sobrevivente da mesma família é Benjamin, que foi colocado dentro de um cooler e protegido até a chegada do socorro. A mãe dele, Dyulia Morais, descreveu os momentos de desespero, “Foi muito difícil. É horrível ver seu filho tomando água, saindo água pelo nariz”.
Dyulia é nora de Romualdo de Almeida, de 80 anos, que está desaparecido junto com a esposa, Apoliana Almeida. A família viajava para Nova Olinda do Norte para passar o Carnaval e agora cobra respostas sobre as buscas.
Dados de resgate e número de desaparecidos
Segundo os relatos dos socorristas, “Ao todo, 71 pessoas foram resgatadas com vida, segundo os Bombeiros.”
O balanço inicial também informa que “Duas pessoas morreram, sendo uma criança e uma jovem de 22 anos. Sete seguem desaparecidas.” As famílias pedem atualizações oficiais sobre as buscas e a localização de parentes.
Como são feitas as buscas e os desafios do local
Equipes do Corpo de Bombeiros e da Marinha do Brasil continuam procurando pelos desaparecidos. A embarcação foi localizada a cerca de 50 metros de profundidade, e as buscas envolvem mergulhadores, embarcações, drones e voos aéreos.
O comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, coronel Muniz, explicou os desafios, “Fatores hidrodinâmicos do Encontro das Águas interferem muito nas operações de busca. Nós temos mudanças de direcionamento das correntes de arrasto, principalmente do Rio Solimões, que tem uma correnteza mais forte. Nós temos diferença de densidade de temperatura no Encontro das Águas. A profundidade é muito grande também. Isso é um complicador para as operações”.
O Grupamento de Bombeiros Marítimo do Estado de São Paulo enviou reforço com seis bombeiros militares, incluindo um capitão, para apoiar as buscas.
Responsabilidade, investigação e medidas tomadas
O comandante da lancha, identificado como José Pedro da Silva Gama, de 42 anos, foi preso em flagrante no porto da capital com outros sobreviventes. Após pagamento de fiança, foi colocado em liberdade e responderá por homicídio culposo. A Justiça solicitou prisão preventiva do piloto.
A Marinha informou que mantém equipes nas buscas e que foram empregadas uma aeronave do 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral do Noroeste, uma embarcação do 1º Batalhão de Operações Ribeirinhas e duas lanchas da Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental. As buscas ocorrem na área do acidente e nas margens dos rios, com apoio de embarcações e mergulhadores.
Familiares e autoridades seguem acompanhando a operação, enquanto parentes tentam transformar a dor em força e aguardam por notícias dos desaparecidos.












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