Mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e menções ao ministro Toffoli elevaram a tensão entre o Supremo Tribunal Federal e a Polícia Federal, em um episódio que expõe fissuras institucionais em Brasília.
A perícia da PF sobre aparelhos apreendidos na Operação Compliance Zero apontou trocas de mensagens e registros de chamadas, além de referências a pagamentos relacionados à empresa Maridt Participações, da qual Toffoli admitiu ser sócio em sociedade familiar.
O conteúdo do relatório, segundo a PF, inclui elementos que podem indicar repasses na ordem de, possivelmente, R$ 20 milhões, além de um convite para uma festa de aniversário enviado ao ministro, conforme informação divulgada pelo g1.
Mensagens, ligações e o conteúdo do relatório
A perícia nos cinco celulares de Vorcaro resultou em um documento descrito pela PF como um relatório de cerca de 180-200 páginas, entregue pelo diretor-geral Andrei Rodrigues ao presidente do STF, Edson Fachin, em 9 de junho.
Fontes ligadas à investigação relatam que o material traz menções diretas ao nome do ministro, registros de ligações entre Toffoli e Vorcaro, e conversas com o pastor Fabiano Zettel, que aparece como intermediário em negociações envolvendo o resort Tayayá, no Paraná.
Investigadores dizem que algumas referências a repasses estariam cifradas, mas que trechos apontam para valores substanciais, ligados à venda da fatia da Maridt no resort para fundos associados a Zettel, como o Arleen e o Leal.
Reação de Toffoli e posicionamento público
Em nota divulgada na quinta-feira, 12 de junho, o ministro Toffoli negou ter amizade íntima com Vorcaro ou ter recebido valores diretamente dele ou de Zettel, e reafirmou que é sócio da Maridt, sociedade anônima familiar administrada por seus irmãos José Eugênio e José Carlos Dias Toffoli.
Toffoli afirmou que as transações foram regulares, declaradas à Receita Federal e realizadas a valor de mercado, e que a venda da participação no Tayayá ocorreu em etapas, parte em 2021 para o fundo Arleen e o restante em 2025 para a PHD Holding.
Redistribuição da relatoria e sinais de crise institucional
Após uma reunião de emergência convocada por Fachin com todos os ministros do STF, Toffoli solicitou e obteve a redistribuição da relatoria do caso Master, e o processo foi sorteado para o ministro André Mendonça.
Em nota conjunta, assinada pelos dez ministros, a Corte acolheu o pedido citando “altos interesses institucionais“, e reafirmou a “inexistência de suspeição ou impedimento legal” em relação a Toffoli, segundo relatos publicados pela imprensa.
Impactos na apuração e no clima entre PF e STF
Nos bastidores, autoridades descrevem um clima de “guerra fria” entre a PF e o STF, com críticas à conduta de Toffoli ao assumir a relatoria em novembro de 2025 e decisões que, segundo investigadores, podem ter prejudicado a apuração, inclusive com risco de nulidade de provas por eventual conflito de interesses.
A Polícia Federal, por sua vez, enfrenta críticas por supostos vazamentos de informações sigilosas, episódio que ampliou a percepção de descontrole e que alcançou investigações em outros estados, incluindo apurações relacionadas a aliados do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
O caso Master segue com trechos sob sigilo, e a troca de relatoria pode preservar a validade das provas, mas os desdobramentos prometem manter o foco na disputa entre instituições e nos impactos para o Judiciário nas próximas semanas.












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