Plantio consorciado no Paredão, em Alto Alegre, usa a mesma área para maracujá suspenso e abóbora no solo, como solução para manter renda, reduzir riscos e diversificar a produção
No interior de Roraima, pequenos agricultores buscam alternativas simples para continuar produzindo e garantir renda, com foco na agricultura familiar e na diversificação de culturas.
No Paredão, na Vicinal 02, famílias adotaram o plantio consorciado, aproveitando espaço e irrigação, e obtendo colheitas que já têm compradores fixos na cidade.
Essas práticas e desafios foram destaque no Amazônia Agro deste domingo, conforme informação divulgada pelo Amazônia Agro deste domingo (8).
Como funciona o plantio consorciado praticado pela família
A técnica adotada pela família de Eduardo Oliveira e Rosângela Souza combina o cultivo de maracujá de forma suspensa com a abóbora plantada no solo abaixo, aproveitando melhor a terra e a irrigação.
Na explicação do agricultor, a estratégia foi pensada para gerar renda extra usando a mesma área cultivada, com aproveitamento da água do maracujá.
Eduardo dizia, “Nessa área que foi plantada de maracujá, a gente tinha terra embaixo. O maracujá em cima, suspenso. Então, a gente resolveu aproveitar essa terra, com a irrigação da água do maracujá, e aproveitou dessa mesma terra para plantar a abóbora embaixo para ter uma renda extra”, explicou.
Resultados e retomada da produção
Depois de tentativas anteriores sem sucesso, a família buscou conhecimento técnico e voltou a investir, com resultados considerados positivos nas lavouras de maracujá e pimenta.
Sobre a nova safra de maracujá, a família comemorou a boa fase e a proximidade da colheita, com previsão concreta de produção.
Como disse Eduardo, “Agora tá dando certo, tá tudo carregado. Daqui a uns 20 dias a gente já tem a primeira colheita”, mostrando confiança na técnica do plantio consorciado e no clima local.
Desafios, custos e manejo na agricultura familiar
Mesmo com êxitos, os pequenos produtores enfrentam obstáculos importantes, entre eles o custo elevado de insumos e a falta de apoio técnico e logístico na região.
Ao explicar as dificuldades, um dos trechos divulgados trazia a reclamação sobre insumos e a manutenção das hortas, que pesa no orçamento das famílias.
“A maior dificuldade do pequeno produtor hoje é a manutenção da horta. O adubo é caro, o veneno é caro. Antigamente forneciam adubo para o pequeno produtor, hoje não. E se você não tem dinheiro para comprar o adubo, como é que você mantém o produto?”
Na escolha por culturas de menor custo e manejo mais simples, Rosângela destacou a aposta nas pimentas, que demandam menos gasto e trabalho na colheita.
Ela afirmou, “A pimenta tem pouco gasto, tem mais durabilidade e menos serviço no tempo de colheita. Junta a família, meu marido, meus filhos, todo mundo vem colher. Quando precisa, a gente arruma diarista.”
Comercialização e planos futuros
A produção é vendida principalmente em Boa Vista, na Feira do Produtor, onde a família já tem compradores fixos, e a propriedade também abriga criação de gado e outros plantios.
Rosângela lembrou a relação histórica da família com a terra e a produção, e a necessidade de manter a agricultura como fonte de sustento e permanência no campo.
Ela disse, “Desde que a gente chegou aqui, começou a mexer com verdura. Meu esposo e os filhos sempre gostaram de produção. A gente trabalha com maracujá, pimenta-de-cheiro, pimenta-ardelosa e agora voltou novamente com o maracujá”, e a família planeja ampliar plantios para incluir pimenta doce, pimentão e macaxeira.
O modelo de plantio consorciado no Paredão mostra que, com técnicas simples e diversificação de culturas, pequenos agricultores conseguem reduzir riscos, otimizar recursos e manter a renda no interior de Roraima.












Leave a Reply