O Conselho Regional de Enfermagem do Amazonas informou que o registro profissional da técnica de enfermagem Raiza Bentes Praia está suspenso, medida tomada no âmbito do processo ético-disciplinar aberto após a morte do menino Benício Xavier.
Uma consulta ao sistema público do conselho havia mostrado o cadastro como “ativo”, informação que já foi atualizada pelo órgão, segundo nota oficial.
A decisão judicial de dezembro de 2025, que determinou a suspensão do exercício profissional por um ano para a técnica e para a médica Juliana Brasil Santos, integra as medidas administrativas e judiciais em curso, conforme informação divulgada pelo g1
O que diz o Coren-AM sobre a suspensão
Em nota, o Coren-AM declarou que a suspensão cautelar do exercício profissional foi adotada no âmbito do processo ético instaurado para apurar o caso, respeitando a legislação vigente, e que a medida já foi publicada no Diário Oficial. O conselho ressaltou que todas as apurações seguem o devido processo legal e o caráter sigiloso previsto na Resolução do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) nº 706/2022.
Cronologia do atendimento e morte de Benício
Segundo o pai, Bruno Freitas, a criança deu entrada no Hospital Santa Júlia com tosse seca e suspeita de laringite. A família relata que a médica prescreveu lavagem nasal, soro, xarope e três doses de adrenalina intravenosa, 3 ml a cada 30 minutos, indicação que, conforme investigação, não era adequada para o quadro clínico.
Após a primeira aplicação, Benício apresentou piora súbita. A criança foi levada para a sala vermelha, com queda da oxigenação para cerca de 75%, e teve monitoramento e solicitação de leito de UTI. Na UTI, por volta das 23h, foi realizada a intubação, e, durante o procedimento, ocorreram as primeiras paradas cardiorrespiratórias.
O estado permaneceu instável, com oscilações na oxigenação, houve novo agravamento e o menino não resistiu às manobras de reanimação, vindo a óbito às 2h55 do domingo.
Medidas judiciais e administrativas em andamento
Além da suspensão cautelar comunicada pelo Coren-AM, uma decisão judicial de dezembro de 2025 determinou a suspensão do exercício profissional tanto da técnica de enfermagem, quanto da médica Juliana Brasil Santos, por um ano. O conselho informou que a decisão integra o processo ético e que as publicações necessárias já foram realizadas.
O caso segue em apuração no âmbito do processo ético-disciplinar, e o Coren-AM afirma que as investigações observam o caráter sigiloso estabelecido pela normativa do Cofen, enquanto outras instâncias podem apurar eventual responsabilidade criminal ou civil.
Posição do Hospital Santa Júlia e reação da família
O Hospital Santa Júlia informou que afastou a médica e a técnica de enfermagem de suas funções e que realizou investigação interna pela Comissão de Óbito e Segurança do Paciente. A nota da unidade confirma abertura de apuração, sem detalhar resultados.
A família, representada por Bruno Freitas, questionou a prescrição e a aplicação no momento do atendimento, e informou que observou a medicação prescrita antes das aplicações, relato que integra as diligências das autoridades e do próprio conselho regional.
As informações públicas sobre as medidas administrativas e sobre o andamento das investigações foram divulgadas pelo Coren-AM e pelas partes envolvidas, e seguem sujeitas a novos desdobramentos, conforme informação divulgada pelo g1











