Unidades de conservação e terras indígenas do Amazonas estão entre as mais ameaçadas na Amazônia, alerta Imazon sobre Yanomami, Waimiri Atroari e áreas estaduais

Levantamento de outubro a dezembro de 2025 mostra unidades de conservação e terras indígenas no Amazonas sob forte pressão de desmatamento, com risco de invasões e degradação dentro dos limites protegidos

O avanço do desmatamento volta a ameaçar áreas protegidas no Amazonas, colocando em risco a integridade de unidades de conservação e terras indígenas no estado.

O estudo identifica concentração de desmatamento nas imediações dessas áreas, o que aumenta a chance de ocupações ilegais e perda de floresta dentro dos perímetros protegidos.

As informações apontam ainda que o problema não é episódico, mas sim parte de um processo contínuo que exige ações imediatas de fiscalização e proteção.

conforme informação divulgada pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

O levantamento e a metodologia

O relatório “Ameaça e Pressão em Áreas Protegidas” analisa o período de outubro a dezembro de 2025 e tem como objetivo identificar os territórios da Amazônia mais vulneráveis ao avanço do desmatamento.

A metodologia do Imazon divide a região em células de 10 km2, para mapear onde a devastação já ocorre e onde há risco iminente, permitindo localizar pontos com alta probabilidade de invasão e degradação.

Áreas do Amazonas entre as mais pressionadas

No recorte estadual, três unidades de conservação de gestão estadual do Amazonas figuram entre as dez mais ameaçadas, segundo o levantamento, e diversas terras indígenas aparecem com forte pressão externa.

Entre as terras indígenas citadas pelo estudo estão TI Waimiri Atroari, TI Alto Rio Negro, TI Yanomami, TI Nhamundá-Mapuera, TI Cué-Cué/Marabitanas e TI Andirá-Marau, todas com sinais de desmatamento no entorno, o que eleva o risco de entrada e consolidação de invasores.

O relatório também destaca que o Pará concentra a maior parte das áreas protegidas sob pressão e ameaça, mas que o problema se espalha por toda a Amazônia Legal, incluindo Amazonas, Acre, Maranhão e Roraima.

Diagnóstico e pedidos dos especialistas

A pesquisadora do Imazon, Bianca Santos, alerta para a recorrência das mesmas áreas nos levantamentos e descreve a gravidade do processo, “Quando esses territórios aparecem de forma recorrente nos levantamentos, fica evidente que a destruição não é pontual, mas sim o resultado de um processo contínuo, Esse cenário exige ações imediatas e contínuas de fiscalização para impedir a consolidação dessas invasões, além de medidas efetivas de proteção que garantam os direitos dos povos originários”.

A diretora do Programa de Áreas Protegidas do Imazon, Jakeline Pereira, ressalta que a preservação dessas áreas é estratégica para o equilíbrio climático e para a subsistência de comunidades locais, apontando a importância de políticas públicas e fiscalização contínua.

Para especialistas, conter a pressão sobre unidades de conservação e terras indígenas no Amazonas passa por intensificar operações de fiscalização, garantir proteção jurídica às áreas e promover ações integradas entre órgãos federais, estaduais e povos indígenas.

Consequências e próximos passos

O avanço da devastação nas bordas das áreas protegidas compromete serviços ecossistêmicos, como regulação do clima e recursos naturais usados por comunidades tradicionais, além de ampliar conflitos fundiários.

Organizações ambientais e lideranças indígenas exigem respostas rápidas, com ações coordenadas de combate ao desmatamento, reforço de fiscalização e medidas de proteção que impeçam a consolidação das invasões e garantam os direitos dos povos originários.

O relatório do Imazon reforça que, sem medidas contínuas e efetivas, a pressão sobre unidades de conservação e terras indígenas do Amazonas tende a se agravar e a se espalhar por novas regiões da Amazônia Legal.