Carimbadores condenados a mais de 20 anos por estupros de crianças e tentativa de transmitir HIV, julgados em Manaus com penas em regime fechado

Justiça condena dois homens conhecidos como “carimbadores” por exploração sexual de crianças e adolescentes, posse e divulgação de pornografia infantil, associação criminosa, em Manaus

Dois homens foram sentenciados nesta terça-feira em Manaus por crimes contra crianças e adolescentes, após investigação que apontou troca de mensagens sobre estupros cometidos com o objetivo de transmitir o vírus HIV.

Os réus, de 21 e 31 anos, foram presos entre maio e junho de 2024, e a investigação começou em 2022, com novos elementos trazidos à apuração em dezembro de 2023.

As penas, anunciadas pelo juízo responsável, somam mais de 20 anos em regime fechado, conforme informação divulgada pelo g1

Detalhes da condenação

Um dos réus foi condenado a 12 anos, três meses e dez dias de prisão. O outro recebeu pena de nove anos, cinco meses e dez dias. As sentenças foram assinadas pelo juiz Rosberg de Souza Crozara.

As condenações foram baseadas no Estatuto da Criança e do Adolescente, pelos crimes de divulgação e de posse de material pornográfico infantil, além do crime de associação criminosa, previsto no artigo 288 do Código Penal.

Como a investigação identificou os acusados

Segundo a apuração, as investigações tiveram início em 2022 após uma denúncia anônima vinda de uma assistência técnica de celulares, que informou haver conversas entre dois homens admitindo estupros e abusos.

A investigação foi retomada em dezembro de 2023, após a Polícia Federal receber a mesma denúncia, e as apurações foram intensificadas até que os dois homens foram identificados e presos entre maio e junho de 2024.

Evidências coletadas e provas periciais

Durante a instrução do processo, foram analisados celulares dos réus, e laudos do Instituto de Criminalística confirmaram a presença de material pornográfico envolvendo crianças e adolescentes nos aparelhos.

As investigações indicaram que os suspeitos, em trocas de mensagens, compartilhavam conteúdo pornográfico, além de informações sobre os abusos sexuais que teriam praticado contra crianças, com o intuito de transmitir o vírus HIV ou Aids, segundo os autos.

Declaração da delegacia e desdobramentos

Na fase inicial das investigações, a então titular da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente, Joyce Coelho, afirmou, “Tudo indica que essas conversas, esses grupos, realmente são feitos a partir do aparelho celular. Então, essa operação foi bastante exitosa, inclusive no sentido de confirmar a autoria dos fatos. Eles de fato são os interlocutores dessas conversas”.

Os dois homens se autodenominavam “carimbadores”. Eles já haviam sido presos em maio, foram liberados no fim de semana após a Polícia Civil do Amazonas esquecer o prazo do fim da prisão, e voltaram a ser detidos após pedido de nova prisão preventiva.

As decisões de condenação ainda podem ser objeto de recurso, e o caso segue com medidas para garantir a responsabilização dos envolvidos e proteção às vítimas.