UEA 25 anos, como a Universidade do Estado do Amazonas levou ensino superior a 17 municípios e transformou a vida de milhares de amazonenses

Com foco na interiorização universitária, a UEA 25 anos ampliou cursos, levou formação profissional a 17 municípios e vem transformando oportunidades e futuro no Amazonas

A Universidade do Estado do Amazonas nasceu no início dos anos 2000 com o objetivo de levar ensino superior para onde ele nunca havia chegado.

O projeto enfrentou desafios estruturais, mas cresceu e hoje está presente em diversos municípios do estado, promovendo inclusão social e desenvolvimento regional.

Essas informações foram divulgadas em reportagem especial do Jornal do Amazonas, conforme informação divulgada pelo Jornal do Amazonas.

Origem, expansão e estrutura

Criada em 2001, a instituição começou com sete unidades, sendo cinco em Manaus e duas no interior, e avançou ao longo das duas últimas décadas com foco na interiorização.

Atualmente a UEA já conta com 17 núcleos, incluindo centros em Parintins, Tefé, Itacoatiara, Lábrea e São Gabriel da Cachoeira, além de polos implantados conforme a demanda dos cursos em diferentes municípios.

O modelo buscou adaptar cursos à realidade amazônica, aproximando a universidade das necessidades locais e estimulando o desenvolvimento das comunidades.

O sentido da interiorização, segundo quem construiu o projeto

O professor Valber Martins, que atuou à frente da Pró-Reitoria de Interiorização por vários anos, explicou a lógica da oferta de cursos, dizendo, “Os cursos ofertados para o interior, eles procuram atender realmente as necessidades de cada região, de cada município. Nós envolvemos realmente as partes ditas interessadas, para que nós possamos compreender as reais necessidades de cada município. Vai a UEA e oferece o curso visando, exatamente, atenuar esse atraso, esse problema do município. Ofertamos cursos que possam promover a inclusão social, promover o desenvolvimento para o município”, explicou.

Para a segunda reitora, professora Marilene Corrêa, o processo representou a consolidação de políticas de formação alinhadas às demandas regionais, como relatado por ela, “O primeiro curso de odontologia, mestrado e doutorado da região norte foi aqui, além de termos fortalecido a área de engenharia, a área de medicina tropical, que já existia, mas era um curso que precisava ser fortalecido pelo Instituto Universitário e foi. Então, nesse sentido eu acho que foi o que marcou. A pós-graduação, o Programa de Formação Científica e Tecnológica das Unidades de Conservação, a conclusão do ProFormat e a interiorização de um modo geral. Os novos campos de São Gabriel da Cachoeira e Lábrega, que não tinha no sul do estado, e a articular toda a estrutura científica da UEA e de formação para a área ambiental”, lembrou.

Histórias que mostram impacto social

A interiorização mudou trajetórias individuais e coletivas, como no caso da professora Emilly Marinho, indígena do povo Kokama, que cursou a universidade e hoje atua na educação local.

Emilly resumiu a importância da UEA afirmando, “Eu costumo dizer que a UEA, pra mim, é uma segunda mãe porque eu consegui todo o meu processo formativo enquanto pessoa, professora, toda a minha identidade docente, ela se construiu dentro desse espaço de formação que é a Universidade do Estado do Amazonas. Eu entendi o meu papel como pesquisadora, como mulher indígena e de levar essa identidade do professor indígena, do professor docente, do professor do interior pra outros lugares”.

Para professores que acompanharam gerações, o crescimento da instituição também se traduziu em melhoria da formação profissional, conforme declarou o professor Mário Bessa, “Uma das coisas fortes da UEA é levar nível superior de qualidade para esses municípios que nós estamos tão distantes. E, às vezes, a gente leva um curso para lá que só vai existir uma única turma, porque se nós repetirmos o próprio curso, satura o mercado de trabalho que nem existe. Eu continuo aqui na ativa, eu continuo dando minhas aulas e espero ainda contribuir mais um pouquinho, algum tempinho aqui na UEA”, afirmou o professor.

Legado e desafios futuros

Ao completar 25 anos, a universidade é apresentada como caminho de oportunidades, consolidando-se como referência regional em interiorização universitária.

O crescimento da UEA é resultado de uma construção coletiva, envolvendo gestores, professores, técnicos e alunos, e o desafio agora é manter a qualidade, ampliar a pesquisa e aprofundar a relação entre formação e demandas sociais.

As bodas de prata celebram uma história em construção, que segue sendo escrita dentro das salas de aula e nas ruas dos municípios atendidos por essa rede de ensino superior no Amazonas.