Justiça Eleitoral arquiva inquérito do QG do Crime Parintins, MP afirma que principal prova era ilícita e não há elementos para ação penal

A Justiça Eleitoral do Amazonas arquivou o inquérito que apurava uma suposta tentativa de interferência nas eleições municipais de 2024 em Parintins, conhecido como QG do Crime Parintins.

A investigação chegou a partir da divulgação de um vídeo que teria sido gravado na casa de Adriane Cidade, prima e ex-assessora do então candidato a prefeito de Manaus, Roberto Cidade.

Com a decisão do juiz Otávio Augusto Ferraro, os investigados não vão responder a ação penal relacionada ao caso, conforme decisão divulgada pela Justiça Eleitoral do Amazonas.

O que motivou o arquivamento

O pedido de arquivamento foi feito pelo Ministério Público Eleitoral, que apontou problemas nas provas reunidas. Segundo o órgão, “a principal prova obtida pela Polícia Federal era ilícita e que não havia elementos lícitos suficientes para comprovar autoria ou materialidade dos crimes investigados“.

Com essa avaliação, o juiz Otávio Augusto Ferraro acolheu o pedido e encerrou a investigação na esfera eleitoral, concluindo que não havia base legal para dar sequência à persecução penal.

O vídeo e as suspeitas levantadas

O caso teve início em 16 de agosto de 2024, com a divulgação de um vídeo gravado em 2 de agosto daquele ano, na casa de Adriane Cidade. Nas imagens aparecem ex-secretários do governo do Amazonas e dois policiais militares.

No vídeo, os participantes admitem práticas que seriam ilegais, como compra de votos em eleições anteriores, acompanhamento de viaturas da Polícia Federal para cometer crimes longe dos agentes, e a intenção de levar pessoas ligadas a milícias e ao crime organizado para Parintins, com o objetivo de prendê‑las em uma operação considerada “forjada”.

Apuração da Polícia Federal e reações

A Polícia Federal também levantou indícios de que líderes comunitários ligados a uma facção estariam ameaçando eleitores e impedindo a circulação de candidatos em áreas do município.

Na ocasião, o Governo do Amazonas informou que os secretários citados foram exonerados, afirmando que a medida visou garantir a lisura das investigações e permitir que os envolvidos se defendessem de forma justa.

Consequências do arquivamento e retirada do sigilo

Além do encerramento da investigação na Justiça Eleitoral, a decisão determinou a retirada do sigilo do processo, por não haver diligências pendentes nem circunstâncias que justificassem a manutenção do segredo.

Com isso, as pessoas investigadas no episódio do QG do Crime Parintins não enfrentarão ação penal relacionada a esse inquérito específico, segundo a conclusão judicial.