Mulher é presa em Manaus com quase 3 kg de cocaína negra na mala ao tentar embarcar para a Espanha, droga indetectável por cães e até 10 vezes mais cara

Ação da Polícia Federal no Aeroporto Eduardo Gomes, em Manaus, resultou na apreensão de quase 2,7 kg de cocaína negra escondida nas paredes de uma mala, substância é tratada com carvão ativado e corantes para burlar cães e testes rápidos

Uma mulher foi detida ao tentar embarcar em um voo internacional com uma mala que escondia substância ilícita entre fibras de vidro das paredes da bagagem.

Durante a fiscalização de rotina, equipamento de raio X revelou a presença de material desconhecido, o que levou à inspeção manual e à apreensão da droga.

A prisão ocorreu na quinta-feira (22), e a ação foi conduzida pela Polícia Federal, conforme informação divulgada pela Polícia Federal.

O que foi apreendido e como ocorreu a prisão

Foram apreendidos aproximadamente 2,7kg de cocaína preta, além de dinheiro em espécie, moeda estrangeira e cartões de crédito. A suspeita, cuja identidade não foi divulgada, se preparava para embarcar para a Espanha quando foi abordada.

Segundo a PF, a mala passou por um equipamento de raio X, que revelou o material oculto entre as camadas da bagagem, o que motivou a revista e a constatação da droga.

Como funciona a chamada cocaína negra

Traficantes modificam quimicamente a substância, adicionando carvão ativado e outros corantes, formando um complexo que impede a reação química que gera a cor azul característica do teste e também mascara o odor típico que os cães conseguem identificar.

Por causa da dificuldade de detecção, a cocaína negra pode valer até dez vezes mais do que a versão comum, tornando-a atrativa para redes de tráfico que buscam driblar fiscalizações.

Perícia e declaração sobre detecção

“Eu não consigo identificar através da coloração e através do olfato nos cães”, afirma Hiraoka, perita da Polícia Civil do Amazonas, ao demonstrar que a amostra permanece sem reação mesmo quando submetida aos reagentes padrão.

A declaração da perita ilustra a dificuldade enfrentada por autoridades em identificar esse tipo de adulteração sem procedimentos laboratoriais mais complexos.

Próximos passos da investigação

A mulher foi encaminhada à Superintendência da Polícia Federal para os procedimentos legais cabíveis e já se encontra à disposição da Justiça. A PF informou que as investigações prosseguem com o objetivo de identificar outros envolvidos, bem como apurar a origem da droga apreendida.

Autoridades trabalham agora para traçar rotas e possíveis conexões da apreensão, enquanto peritos analisam a composição da substância para confirmar os aditivos usados no processo de escurecimento.