Perícia técnica concluiu que o sistema sugere via intravenosa por configuração padrão, mas permite alteração manual pelo médico, segundo laudo do Instituto de Criminalística no Caso Benício
O inquérito que investiga a morte do menino Benício avança após perícia no sistema eletrônico de prescrições do Hospital Santa Júlia.
Peritos reproduziram o atendimento e não identificaram instabilidades ou erros de processamento durante o período analisado.
As informações constam em laudo pericial, conforme informação divulgada pelo g1.
O que diz o laudo
Segundo o relatório do Instituto de Criminalística, “O laudo concluiu que não tem nenhum defeito no sistema e que a via de administração é selecionada pelo médico, não há troca automática de via de administração”, afirmou o delegado ao g1.
O exame analisou o funcionamento do sistema Tasy EMR usado pelo Hospital Santa Júlia, e concluiu que a sugestão de via intravenosa ocorre por conta de uma configuração padrão do sistema, que pode ser ajustada pela administração hospitalar.
Como foram os testes e as evidências coletadas
Os peritos fizeram testes controlados e simulações reproduzindo os mesmos parâmetros do atendimento de Benício, incluindo a seleção do medicamento Adrenalina (Epinefrina) 1 mg/ml inj..
Em um dos testes, foi possível alterar a via de intravenosa para inalatória sem falhas, bloqueios ou erros no sistema, o que, segundo o laudo, demonstra que a plataforma permite a modificação manual antes da liberação para a farmácia.
As análises foram feitas ao longo de cinco visitas técnicas ao Hospital Santa Júlia, entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, com coleta de logs, registros do banco de dados, capturas de tela e vídeos, e não foram encontrados registros de instabilidade, falhas técnicas ou erros de processamento no período analisado.
Contexto do atendimento e versão da defesa
A defesa da médica Juliana Brasil alegou, em dezembro, que a prescrição de adrenalina intravenosa registrada no prontuário foi resultado de uma falha do sistema do Hospital Santa Júlia.
De acordo com o boletim de ocorrência, Benício, de 6 anos, foi levado ao hospital após apresentar tosse, em 22 de novembro de 2025, e, após a aplicação de adrenalina, apresentou alterações imediatas na respiração, mudança na coloração da pele e queixas de dor no peito, foi encaminhado à UTI, sofreu paradas cardiorrespiratórias e morreu.
Próximos passos do inquérito
O delegado Marcelo Martins afirmou que o laudo pericial do Instituto de Criminalística deve embasar as próximas diligências do inquérito, que apura possíveis responsabilidades no atendimento médico.
A conclusão técnica sobre o funcionamento do Tasy EMR, e a confirmação de que a via de administração é escolhida manualmente pelo médico, entram como elemento central nas investigações do Caso Benício, e poderão orientar novas medidas e depoimentos.











