Obras paralisadas no Amazonas, TCU registra 438 projetos federais interrompidos com R$ 1,3 bilhão travados e R$ 439,5 milhões já gastos, hospitais e saneamento parados

O Amazonas registra 438 obras públicas paralisadas que recebem recursos federais, segundo levantamento do Tribunal de Contas da União, um cenário que impacta serviços essenciais e a rotina de moradores.

Ao todo, o estado tem 734 projetos financiados com verbas da União, entre obras concluídas, em andamento e interrompidas, e o investimento total previsto chega a R$ 4,2 bilhões.

Os números e casos citados a seguir dão dimensão dos atrasos e das consequências para saúde, mobilidade e infraestrutura, conforme levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU).

O que diz o levantamento e os números do problema

O painel do TCU aponta que, entre 2019 e 2025, o Amazonas acumulou 734 projetos financiados pela União, com 438 obras paralisadas em 2025, número ligeiramente inferior às 452 registradas em 2024.

Do total de investimentos previstos, R$ 4,2 bilhões, **R$ 1,3 bilhão correspondem a obras que estão paradas**, e **R$ 439,5 milhões já foram gastos em projetos que seguem sem conclusão**, valores que revelam recursos significativos aplicados sem entrega de serviços.

Casos concretos e impacto na população

Em Manaus, a passarela da Avenida Torquato Tapajós, derrubada em julho de 2024 após ser atingida por uma carreta, segue sem reconstrução completa, e pedestres passam a dividir espaço com o fluxo de veículos, o que aumenta a sensação de insegurança.

Projetos anunciados como o Parque Encontro das Águas Rosa Almeida e a nova sede da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, dentro do Parque Ponte dos Bilhares, permanecem com obras paradas, vigas expostas e sinais de abandono.

O Hospital do Sangue, do Hemoam, financiado com recursos federais e prometido para atender pacientes que dependem do serviço, ainda não funciona, mesmo com declarações de autoridades sobre prontidão da obra.

Vozes da comunidade ilustram o efeito direto dos atrasos, por exemplo, Greice Medeiros relatou a dificuldade no tratamento do filho, ela disse, “O meu filho já está há sete anos nessa luta, porque ele foi diagnosticado aos três aninhos de idade. E aí fizemos todo o tratamento e ele passou uns cinco anos, seis ano. Entrou na remissão, mas infelizmente nós tivemos a notícia que teve a recaída.Tivemos essa surpresa de novamente voltarmos e vermos as mesmas situações, até pior, na verdade. Eu tenho conhecido outras mães que perderam as suas crianças por falta de recursos”, contou.

No Parque Mauá, moradores reclamam de uma obra de saneamento paralisada desde outubro de 2024, com buracos, lama e acúmulo de sujeira, e a dona de casa Maria Eduarda Chaves afirmou, “Vai fazer dois meses que meu pai faleceu. Está com esse período de chuva, a situação fica feia. Meu esposo teve que levar carregado meu pai porque ele era cadeirante. Levou carregado porque nem o Samu entrou”, contou.

Por que as obras ficam paradas, segundo especialistas

Especialistas apontam falhas de planejamento e fiscalização, além de problemas na gestão orçamentária, como fatores que contribuem para as obras paralisadas no Amazonas.

Como explica o especialista em gestão pública Lúcio Carril, “Obra inacabada, obra que demora muito para ser concluída, se não for por nenhum interfério, é por falta de planejamento do poder público. Nós temos a Lei Orçamentária, você planeja os valores a serem gastos no ano seguinte. Tem a Lei de Diretrizes Orçamentárias que diz como vai ser aplicado esses recursos. Isso são dois elementos fundamentais para se fazer um planejamento. Gestão pública é planejar, executar para poder apresentar o serviço”, explicou Carril.

Resposta dos órgãos e próximas etapas

A Secretaria de Estado de Infraestrutura, em nota, afirmou, “A Seinfra informou, por meio de nota, que entre 2019 e 2025 foram concluídas 734 obras em todo o estado e que outras 148 estão em andamento.”

A Secretaria Municipal de Infraestrutura não respondeu até a publicação desta reportagem, e a Prefeitura de Manaus informou que arcará com a reconstrução da passarela da Torquato Tapajós, após questionamentos sobre seguro e ações judiciais, mas as obras ainda não avançaram.

O mapa de obras paralisadas no Amazonas reúne projetos de **saneamento básico, mobilidade urbana, saúde e equipamentos públicos**, e a combinação de valores já empenhados e paralisados reforça a necessidade de fiscalização e coordenação entre esferas federal, estadual e municipal para retomar entregas.

Moradores, especialistas e órgãos seguem pressionando por prazos claros e retomada das obras, diante dos impactos diretos na vida cotidiana e na prestação de serviços essenciais.