Manaus foi escolhida pela Fundação Oswaldo Cruz, Fiocruz, como uma das sete cidades que vão participar de um estudo para subsidiar a avaliação da injeção contra HIV no SUS, administrada a cada seis meses.
O estudo usará o fármaco lenacapavir, da farmacêutica Gilead Sciences, e pretende avaliar a viabilidade da oferta da PrEP injetável no Sistema Único de Saúde.
As doses já foram disponibilizadas pela Gilead Sciences, mas o início das aplicações depende da chegada ao Brasil de agulhas específicas ao país, conforme informação divulgada pela Fiocruz.
Como será o estudo e onde será realizado
A Fiocruz informou que o estudo será conduzido em Manaus, São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Florianópolis, Campinas e Nova Iguaçu, com foco em avaliar a incorporação da injeção contra HIV no SUS como estratégia de prevenção.
O fármaco deve ser aplicado por via subcutânea a cada seis meses, o que pode facilitar a adesão em comparação com a PrEP oral, ao reduzir a frequência de doses, além de ampliar opções para pessoas sob risco de contrair o vírus.
Regulamentação e indicações do medicamento
O uso do lenacapavir como profilaxia pré-exposição (PrEP) contra o HIV-1 foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na segunda-feira (12).
Segundo a Anvisa, o lenacapavir pode ser usado por adultos e adolescentes a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35 quilogramas, que estejam sob risco de contrair o vírus. Antes de iniciar o tratamento, é obrigatório realizar teste com resultado negativo para HIV-1.
Dados sobre o avanço do HIV em Manaus
Do total de 1.298 casos novos de HIV em adultos registrados este ano em Manaus, 867 foram notificados entre pessoas com idade de 20 a 39 anos, com 75,4% dos casos entre a população masculina, conforme informação divulgada pela Fiocruz.
Também houve a notificação de 445 casos novos de Aids e 183 óbitos pela doença. Em 2024, Manaus registrou 1.756 casos novos de HIV em adultos, 546 casos novos de Aids e 244 óbitos, segundo os dados informados.
O que muda e próximos passos
A chegada das agulhas específicas ao Brasil é o próximo passo logístico para o início das aplicações testadas no estudo, e a Fiocruz acompanhará a implementação e resultados para subsidiar decisões sobre oferta pelo SUS.
Enquanto isso, a aprovação pela Anvisa e a disponibilização de doses pela farmacêutica já consolidam a possibilidade de que a injeção contra HIV no SUS se torne uma ferramenta complementar à prevenção, caso os resultados e a logística sejam favoráveis.











