O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), participou neste domingo (27) da Rodrigues Run, corrida de rua promovida por um grupo empresarial que, recentemente, recebeu mais de R$ 21,5 milhões da própria Prefeitura pela desapropriação de um terreno localizado na zona norte da capital amazonense.
A empresa organizadora do evento, a Rodrigues Indústria e Comércio de Colchões Ltda, está no centro de uma polêmica que envolve relações controversas com a atual gestão municipal. O grupo, além de receber um expressivo repasse público entre maio e julho de 2025, também foi anunciado por David Almeida como um dos patrocinadores oficiais do festival Sou Manaus 2025, lançado no início deste mês.



Segundo registros públicos, o terreno desapropriado fica na rua Saracura Mirá, zona norte, e pertencia à própria Rodrigues Colchões. O imóvel foi adquirido pela Prefeitura com a justificativa de implantação de unidades habitacionais do programa “Minha Casa, Minha Vida”, em parceria com o Governo Federal.
A transação foi respaldada pelo Decreto Municipal nº 5.846, de 8 de março de 2024, que declara o imóvel como de utilidade pública, alegando “a necessidade de proporcionar espaços necessários para habitação de pessoas em situação de vulnerabilidade”.
Potencial conflito de interesses
A presença do prefeito em um evento promovido por uma empresa que mantém relações financeiras robustas com sua gestão levanta dúvidas sobre possíveis conflitos de interesses. Embora a doação de patrocínio para eventos culturais seja legal, a ligação direta entre o patrocínio e a recente desapropriação milionária levanta suspeitas quanto à independência dessas operações.
Outra questão sensível é a possibilidade de que parte dos recursos recebidos pela empresa via desapropriação estejam sendo, de forma indireta, revertidos para financiar eventos da própria Prefeitura, criando um circuito de circulação de dinheiro público com pouca transparência.
Parcerias culturais e recursos públicos
Durante o lançamento do Sou Manaus 2025, o prefeito destacou que o evento contará com investimento público e parcerias privadas para bancar atrações nacionais. A Rodrigues Colchões, entre outras empresas, foi citada como uma das patrocinadoras. No entanto, a proximidade temporal entre o recebimento de mais de R$ 21 milhões da Prefeitura e o anúncio de apoio ao festival levanta questionamentos: há independência entre o patrocínio cultural e os repasses públicos?
A gestão de David Almeida não se pronunciou oficialmente até o momento sobre os critérios adotados para a escolha das empresas parceiras, nem sobre a transparência na prestação de contas envolvendo os eventos e contratos com fornecedores.
Transparência e vigilância
A situação evidencia a necessidade de maior fiscalização e transparência na relação entre o setor público e privado, especialmente em um momento em que a cidade enfrenta desafios em áreas como mobilidade urbana, saúde pública e habitação.
A população e os órgãos de controle devem ficar atentos a movimentações que envolvam recursos públicos em escalas milionárias, especialmente quando esses mesmos grupos empresariais aparecem em ações públicas com forte apelo midiático, como eventos esportivos e culturais.











