Caçador desaparecido por 50 dias no Amazonas afirma ter sido guiado por “mãe da mata”

Após mais de 50 dias desaparecido em uma região de mata fechada entre os municípios de Manacapuru e Novo Airão, no Amazonas, o caçador Magnilson da Silva Araújo, de 34 anos, foi encontrado com vida no final de maio. Debilitado, desidratado e emocionalmente abalado, ele surpreendeu familiares e equipes de resgate ao relatar que, durante todo o período em que esteve perdido, teria sido guiado por uma entidade mística que se identificava como a “mãe da mata”.

O caso chamou atenção não apenas pela duração do desaparecimento e a resistência física de Magnilson, mas também pela narrativa que envolve elementos do folclore amazônico. Segundo relatos do irmão da vítima, o caçador contou que passou dias caminhando em círculos, sem conseguir sair do mesmo ponto, sempre sendo atraído por uma mulher misteriosa que o chamava pela floresta. Essa figura, descrita por ele como a “mãe da mata”, teria o mantido “encantado” e desorientado.

“Ele disse que essa mulher chamava por ele, como se estivesse hipnotizado. Caminhava muito, mas sempre voltava pro mesmo lugar”, afirmou o irmão em entrevista à imprensa local.

Caminho do desaparecimento

Magnilson desapareceu no dia 7 de abril de 2025, após se separar de outros dois caçadores com quem estava em uma área de floresta próxima ao km 50 da rodovia AM-352. Ele teria decidido pegar um atalho por conta própria, o que levou à perda de contato e início das buscas. Apesar dos esforços de bombeiros e voluntários, nenhuma pista concreta surgiu nas primeiras semanas.

Somente em 28 de maio, mais de sete semanas depois, moradores da comunidade do Ramal do Tumbira o encontraram em estado crítico. Magnilson foi imediatamente socorrido e encaminhado ao Hospital Lázaro Reis, em Manacapuru, onde recebeu atendimento médico e suporte psicológico. Ele teve alta hospitalar no dia 30 de maio, e reencontrou a família em meio a forte comoção.

Sobrevivência e resistência

Durante os mais de 50 dias na floresta, Magnilson sobreviveu comendo frutos de buriti, bebendo água de nascente e abrigando-se sob árvores. Em determinado momento, pensou em tirar a própria vida, mas desistiu após perceber que a arma que carregava estava descarregada.

Segundo os médicos, o estado físico dele era grave, mas estável. A equipe que o atendeu afirmou que o caçador apresentava sinais de desnutrição severa, desidratação e confusão mental.

Folclore amazônico ou delírio?

O relato da “mãe da mata” traz à tona uma das figuras místicas mais emblemáticas da tradição amazônica. De acordo com pesquisadores e estudiosos do folclore regional, a entidade é descrita como uma espírito feminino que protege a floresta, punindo quem a invade ou desrespeita. Em algumas versões, ela surge como uma mulher de traços indígenas, coberta por folhas, sedutora ou protetora, dependendo da história.

Especialistas em saúde mental alertam, no entanto, que situações de isolamento extremo, fome, sono precário e medo intenso podem desencadear alucinações, delírios e estados alterados de consciência — o que explicaria os relatos do caçador sem necessariamente recorrer ao sobrenatural.

“É possível que ele tenha vivido uma experiência real para sua mente naquele momento. Isso não invalida a vivência, mas pode ter raízes fisiológicas e psicológicas”, afirmou uma psicóloga consultada pela reportagem.